Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:




"Não posso ver os caminhos deles. Não posso ver quais decisões eles tomaram para chegar aqui ou que escolhas farão amanhã. Não posso ver seus erros ou transgressões ou padrões de comportamento. Mas percebo que não tem importância. Não preciso saber o passado de alguém para fazer com que se sinta melhor sobre seu futuro. Não preciso saber por que alguém está com fome para que lhe conseguir algum alimento. Não preciso saber por que alguém está com frio para aquecer a pessoa. Não preciso saber por que alguém está deprimido para lhe oferecer esperança".
— Desastre (S.G. Browne)


''Eu queria ficar na varanda com ele até o sol brilhar sobre nós dois. Mas não fiquei. Eu me levantei e desci as escadas. Prefiro correr atrás do sol a esperar que ele venha incidir sobre mim''.
— O mensageiro (Markus Zuzak)


"Se você fica se prendendo no passado, não consegue seguir em frente. Se passa muito tempo planejando o futuro, você se empurra para trás ou fica estagnada no mesmo lugar a vida toda".
—  Entre o agora e o nunca (J.A. Redmerski)


Memória Musical de hoje traz algumas músicas que lembram a história do livro de Nicola Yoon, O Sol Também é Uma EstrelaSe você ainda não viu, veja aqui a resenha no blog e confira um pouco da história e minhas impressões!


1 - PLOT TWIST - SIGRID.
É uma música que descreve perfeitamente bem a protagonista Natasha, que tem dificuldades de tirar os pés do chão para viver uma história de amor. Ela se recusava de todas as formas a se envolver com Daniel porque ele parecia irreal demais para a iminente infelicidade dela.


Livro: Tudo O Que Nunca Contei
Título Original: Everything I Never Told You
Autor(a): Celeste Ng
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
ISBN: 978-85-8057-974-1
Sinopse: Na manhã de um dia de primavera de 1977, Lydia Lee não aparece para tomar café. Mais tarde, seu corpo é encontrado em um lago de uma cidade em que ela e sua família sino-americana nunca se adaptaram muito bem. Quem ou o que fez com que Lydia - uma estudante promissora de 16 anos, adorada pelos pais e que com frequência podia ser ouvida conversando alegremente ao telefone - fugisse de casa e se aventurasse em um bote tarde da noite, mesmo tendo pavor de água e sem saber nadar? À medida que a polícia tenta desvendar o caso do desaparecimento, os familiares de Lydia descobrem que mal a conheciam. E a resposta surpreendente também está muito abaixo da superfície. Conforme analisa e expõe os segredos da família Lee - os sonhos que deram lugar às decepções, as inseguranças omitidas, as traições e os arrependimentos -, Celeste Ng desenvolve um romance sobre as diversas formas com que pais, filhos e irmãos podem falhar em compreender uns aos outros e talvez até a si mesmos. Uma uma observação precisa e dolorosa do fardo que as expectativas da família representam e da necessidade de pertencimento. Um romance que explora isolamento, sucesso, questões de raça, gênero, família e identidade e permanece com o leitor bem depois de virada a última página.

Celeste Ng cresceu em Pittsburgh, Pensilvânia, e Shaker Heights, Ohio, nos Estados Unidos, em uma família de cientistas. Formou-se em Harvard e fez o mestrado em belas-artes pela Universidade de Michigan, onde ganhou o Hopwood Award. Seus ensaios e trabalhos de ficção já foram publicados na One Story, TriQuarterly, Bellevue Literary Review, Kenyon Review Online. Atualmente Ng mora em Cambridge, Massachusetts, com o marido e o filho.

   Lydia (a filha querida) está morta. Mas sua família ainda não sabe disso. Dia 3 de maio de 1997, seis e meia da manhã, ninguém sabe nada a não ser por este fato inofensivo: Lydia está atrasada para o café da manhã. Sua mãe procura pela casa. Não encontrada nada. Nath (o filho mais velho) e Hannah (a filha invisível) ajudam a procurar pela irmã, mas, definitivamente, ela não está em casa. Marilyn (a mãe) resolve ligar para James (o pai), mas nem ele consegue intimidar a polícia, que acredita se tratar apenas de um caso onde "os adolescentes saem de casa sem avisar". Horas mais tarde o corpo de Lydia é encontrado no fundo de um lago e o frágil equilíbrio que parecia manter a família unidade se acaba, mergulhando todos no caos, na escuridão, em uma tristeza profunda onde toda a verdade vem à tona.
   Tudo O Que Nunca Contei traz em suas primorosas entrelinhas a história de uma família de ascendência chinesa que mora em uma cidadezinha de Ohio, nos Estados Unidos. Lydia, que agora está morta, é a filha preferida de um casal determinado a fazer dela a realização de todos os sonhos que os dois não alcançaram: no caso do pai, popularidade e aceitação; no caso da mãe, sucesso acadêmico. Quando a menina morta é encontrada, o pai, consumido pela culpa, começa a trilhar um caminho que pode levar ao fim do casamento. A mãe, desolada, vingativa, incompreendida e infeliz, está determinada a encontrar os responsáveis pela morte da menina — mesmo sabendo que já os viu várias vezes, tanto na mesa de jantar quanto de frente ao espelho 
   O irmão mais velho tem certeza que o vizinho problemático, Jack, está envolvido na tragédia. Mas é a filha caçula, ignorada por todos e esquecida pelos pais, quem descobre muito mais do que todos imaginam e talvez seja a única a entender de fato o que estava por trás da morte da irmã. Enquanto desvela os segredos da família Lee — os sonhos que viraram decepções, os amores que viraram ódio, as inseguranças omitidas, as traições e os arrependimentos —, Celeste Ng conta uma história pautada pela incapacidade que muitas vezes temos em compreender os outros e a nós mesmos, no fazendo lembrar que as expectativas familiares e a necessidade de pertencimento podem acabar com a vida de alguém.

"Miles Fuller e o pai dele cruzaram a linha de chegada primeiro, e a sra. Hugard, a diretora, lhes deu a fita azul.
— Tudo bem — disse James e, por um instante, Nath se sentiu melhor. — Então o pai acrescentou: — Agora, se tivessem uma competição para quem lê o dia todo...
Ele vinha dizendo coisas assim o mês inteiro: coisas que soavam como brincadeiras, mas não eram".
 
   Eu havia pensado que Tudo O Que Nunca Contei se tratava apenas de um livro interessante, um tanto quanto comum, mas, a bem da verdade, logo após finalizar a leitura concluí que ele é sobre tão mais do que isso... não sou sequer capaz de explicar! Celeste Ng mostrou para que veio. Ela não quer simplesmente escrever. Não deseja apenas vender sua obra. Não quer apenas tratar de temas profundos, simplesmente construindo um retrato emocionante de uma família e de uma jovem que lutou para atender as expectativas dos pais. É muito mais do que isso. Ela quer toca, de modo que as palavras faltem e os sentimentos transbordem.
   Apesar de ter dificuldades com o começo da história e até mesmo julgá-la mal, mergulhei de cabeça em Tudo O Que Nunca Contei. Antes de ler, eu dei uma olhada em algumas resenhas pela internet, apenas para confirmar minhas suspeitas: a grande maioria dos leitores adoraram o livro, se sentiram transformados e satisfeitos, mas por que eu não senti o mesmo logo que iniciei a leitura? Bem, é simples. Tudo O Que Nunca Contei tem o poder de nos surpreender a cada página, mas pede algo em troca: um pouco de compreensão. Um drama familiar não é uma história fácil de ser contada e, muito menos, de ser  lida — já que muitas vezes acabamos nos identificando com a situação vivenciada pelos protagonistas.
   A narração é em terceira pessoa, com uma estrutura poética e sensível que nos permite ter uma visão extremamente ampla das escolhas, sentimentos, decisões e pensamentos dos personagens, contribuindo ainda mais para o ritmo dinâmico que a obra ganha do meio para o fim. Nos momentos mais emotivos e profundos, parece que estamos vivenciando a experiência junto com os personagens. A escrita de Celeste é, literalmente, deliciosa. Você inicia a leitura sem pretensão alguma e quando se dá conta já está lendo há algumas horas, sorrindo, com os olhos cheios de lágrimas e sem conseguir parar de pensar na obra. Demora um pouco para nos acostumarmos com todas as descrições, com toda a sensibilidade, mas depois que isso acontece só conseguimos querer mais e mais dessa estreia perfeita que prova que nem toda poesia é feita em versos.


"Jack tinha razão: ela sentia medo havia tanto tempo que se esquecera de como era não sentir — medo de que a mãe um dia sumisse de novo, de que o pai desabasse, de que a família inteira entrasse em crise mais uma vez. Desde aquele verão sem a mãe, a família havia parecido instável, como se cambaleasse à beira de um penhasco. Antes disso, ela não tinha se dado conta de como a felicidade era frágil, como a qualquer momento, se não fosse cuidadosa, ela poderia cair e quebrar".


Olá, galera, tudo bem? Durante os últimos dias, falei um pouco sobre a trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei, junto com os demais parceiros da Editora Intrínseca. A ideia era apresentar a série e falar um pouco sobre os personagens que amamos na semana do Dia dos Namorados aqui no Brasil. Hoje encerraremos o especial com os melhores trechos da trilogia. Espero que gostem dos quotes:

— QUOTES —


 ''Se o amor é como uma possessão, talvez minhas cartas sejam meu exorcismo. As cartas me libertam. Ou pelo menos deveriam.''


''O amor é assustador; ele se transforma; ele murcha. Faz parte do risco. Não quero mais ter medo. Quero ser corajosa..."


Livro: O Que é Fascismo? E Outros Ensaios
Autor: George Orwell 
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 158
ISBN: 978-85-5651-030-3
Sinopse: Entre as décadas de 1930 e 1940, George Orwell colaborou em diversos veículos da imprensa britânica como observador implacável da sociedade e da cultura. Em ensaios, resenhas e colunas reunidos em O que é fascismo?, o criador do mundo distópico de 1984 explora uma galeria de temas cujo fio condutor é a política, sua maior obsessão intelectual e literária. A visão desencantada de Orwell ilumina os fatos e as obras capitais da época para torná-los compreensíveis para o homem comum. Sempre movido pela inteligência da dúvida, ms também apaixonado por suas fortes convicções socialistas e democráticas, o autor critica filmes, livros e outros escritores com a mesma lucidez devotada às leituras da política doméstica e europeia, centradas na ascensão no nazifascismo e na tragédia da Segunda Guerra Mundial. Com organização e prefácio de José Augusto, esta seleção de grandes momentos da produção jornalística de Orwell se compõe exclusivamente de textos inéditos em livro no Brasil.

George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair. Nascido em Motihari, norte da Índia britânica, em 1903, filho de um funcionário da administração britânica do comércio de ópio, Orwell estudou em colégios tradicionais da Inglaterra. Na décade de 1920, foi agente da polícia colonial da Birmânia. Nas décadas seguintes, deslanchou sua carreira como escritor publicando diversos romances, ensaios e textos jornalísticos, sendo oS mais conhecidos 1984 e A Revolução dos Bichos. É considerado um dos escritores mais importantes do século XX. Morreu em 1950, aos 46 anos, em Londres, vítima da tuberculose.

   O que é fascismo? e outros ensaios é um compilado de textos escritos por George Orwell para diversos jornais entre os anos 1938 e 1948. Neles se pode ter uma ampla visão de quem foi Orwell e qual seu posicionamento a respeito dos acontecimentos da época. Em 1939 eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Em 1945 ela chegou ao fim. Grande parte dos textos contidos no livro foram escritos em meio a Guerra – mais como uma forma de resistência, pois seus escritos eram justamente o tipo de conteúdo que o governo buscava reprimir.
   A visão antiguerra de alguém que vivia na Inglaterra e tinha uma ampla ótica do lado dos Aliados (grupo formado pelo Reino Unido, União Soviética e Estados Unidos) é altamente explorada através de Orwell. Suas críticas são direcionadas não apenas ao fascismo e nazismo que tomaram a Itália e a Alemanha, respectivamente, mas também ao próprio governo britânico, com suas alianças cheias de conveniência política. Orwell também foi um grande defensor dos direitos humanos, posicionando-se sempre contra a escravidão, a colonização e o preconceito.
   Não apenas de artigos de opinião vive O que é fascismo? e outros ensaios, pois Orwell era tanto um escritor assíduo como um leitor voraz. O livro é permeado de resenhas que o autor busca detalhar com toda a sinceridade – e não só de livros, dentre elas há a análise do filme O grande ditador (1940), com Charles Chaplin. Em todas, Orwell buscou acrescentar sua visão de mundo à história, deixando clara sua posição ideológica, mas que nunca sobressaía o seu senso crítico.

   Este foi meu primeiro contato com George Orwell. Já havia lido diversos estudos sobre o autor e suas obras, inclusive tendo que produzir trabalhos acadêmicos sobre tais estudos, mas – e esse é um erro medonho, sei disso – nunca cheguei a ler nada do escritor, embora a curiosidade sobre esse "tal de Orwell" sempre se fez presente. Por isso agarrei a oportunidade de ler alguns de seus ensaios e penso que não poderia ter começado melhor. Gostei muito dessa primeira impressão, já que pude conhecer logo de cara a versatilidade de Orwell em falar sobre os mais diversos assuntos mantendo uma visão ampla e crítica sobre tudo. Foi imensamente encantador e, dessa forma, me sinto mais preparada para encarar qualquer outras de suas obras.
   Há algo que ouço de muitas pessoas e sempre sou obrigada a discordar: que escritores antigos tem uma linguagem muito complicada, difícil, e isso faz com que seus livros sejam chatos. Há casos e casos, e se realmente há correlação entre a época em que o livro foi escrito e sua narrativa pouco fluida, então a escrita de Orwell é uma exceção. Como jornalista, ele consegue deixar seu texto claro e objetivo tendo como missão fazer com que seu trabalho atinja as mais diversas classes – o que nem sempre era possível devido ao embate da sociedade conservadora frente a suas críticas e a ainda pouca alfabetização que estava alastrada no proletariado.


Olá, galera, tudo bem? Do dia 10 até o dia 14, o blog vai falar sobre a trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei, junto com os demais parceiros da Editora Intrínseca. A ideia é apresentar a série e falar sobre os personagens que amamos na semana do Dia dos Namorados aqui no Brasil. No dia de hoje, inspirada na protagonista Lara Jean, vocês vão ter acesso a minha carta para o crush. Claro que também vão aprender a fazer suas próprias cartinhas na plataforma criada pela Intrínseca! Nela, é possível fazer tanto cartas dedicadas aos amores de nossas vidas quanto para nosso eu futuro.

— CARTAS —


1. DONO DE MIM


Olá, galera, tudo bem? Do dia 10 até o dia 14, o blog vai falar sobre a trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei, junto com os demais parceiros da Editora Intrínseca. A ideia é apresentar a série e falar sobre os personagens que amamos na semana do Dia dos Namorados aqui no Brasil. No dia de hoje, você vão conhecer um pouco sobre meus personagens favoritos da série.

— PERSONAGENS FAVORITOS —



Todos os personagens são cativantes. São personagens que soam altamente reais, daqueles que a gente consegue se identificar com tudo aquilo que eles passam. Eu mesma, por exemplo, acabei me identificando muito, em diversos momentos, com a Lara Jean.

   Lara me cativou logo na sinopse quando vi que ela escrevi cartas para se libertar de seus amores. No instante em que nossa protagonista disse que escrevia para se libertar, ela ganhou essa leitora aqui que vos escreve. Ela iniciou o livro muito tímida e inexperiente, mas foi vivenciando muitas coisas que os jovens passam na adolescência e foi aprendendo e ''quebrando a cara'' com algumas coisas, mas tudo isso que aconteceu na vida dela foi essencial para que pudesse conceber a Lara Jean um pouco mais madura e segura de si mesma presente no segundo livro. No entanto, nossa mocinha ainda precisa aprender bastante — espero que isso aconteça no terceiro livro , mas tudo o que ela já sofreu e passou só servirá para o crescimento pessoal e intelectual dela.
   Kitty, a irmã de Lara, também não podia faltar neste post! Ela é muito fofa e espertinha — a inteligencia dessa garota é invejável. É por causa dela, que é super esperta e apesar de ser uma criança sempre está ligada em tudo o que acontece na vida de suas irmãs mais velhas, que muitos conflitos são concebidos no meio do livro. Em resumo, Kitty é aquela personagem para nos fazer sorrir bastante e estourar o "fofurômetro". É muito amor por essa garotinha apaixonada por cachorros! 
   Por último, mas não menos importante, eu queria falar do pai das meninas. Eu gostei muito dele. Um pai que cria sozinho as filhas e que se importa muito com elas. Apesar do trabalho, ele é super esforçado e atencioso, e tenta ao máximo dar um pouquinho de atenção para cada uma de suas filhas. (Vamos combinar que criar três garotas sozinho não deve ser nada fácil, né?)  

E vocês, já leram Para Todos Os Garotos Que Já Amei? Quais são seus personagens favoritos? 


Livro: Mitologia Nórdica
Título Original: Norse Mythology
Autor(a): Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
ISBN: 978-85-510-0128-8
Sinopse: Quem, além de Neil Gaiman, poderia se tornar cúmplice dos deuses e usar de sua habilidade com as palavras para recontar as histórias dos mitos nórdicos? Fãs e leitores sabem que a mitologia nórdica sempre teve grande influência na obra do autor. Depois de servirem de inspiração para clássicos como Deuses americanos e Sandman, Gaiman agora investiga o universo dos mitos nórdicos. Em Mitologia nórdica, ele vai até a fonte dos mitos para criar sua própria versão, com o inconfundível estilo sagaz e inteligente que permeia toda a sua obra. Fascinado por essa mitologia desde a infância, o autor compôs uma coletânea de quinze contos que começa com a narração da origem do mundo e mostra a relação conturbada entre deuses, gigantes e anões, indo até o Ragnarök, o assustador cenário do apocalipse que vai levar ao fim no mundo. Às vezes intensos e sombrios, outras vezes divertidos e heroicos, os contos retratam tempos longínquos em que os feitos dos deuses eram contados ao redor da fogueira em noites frias e estreladas. Mitologia nórdica é o livro perfeito para quem quer descobrir mais sobre a mitologia escandinava e também para aqueles que desejam desvelar novas facetas dessas histórias.

Neil Gaiman é considerado um dos dez maiores escritores pós-modernos vivos. Tem mais de vinte livros publicados e já foi agraciado com inúmeros prêmios, incluindo o Hugo, o Bram Stoker e a Newbery Medal. Iniciou a carreira literária com a aclamada série em quadrinhos Sandman e, depois, seguiu para a ficção, publicando obras memoráveis como Deuses Americanos. Nasceu em Hamsphire, Inglaterra, e hoje mora nos Estados Unidos. Pela Intrínseca publicou também O Oceano no Fim do Caminho, Faça Boa Arte, A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras, João e Maria, Os filhos de Anansi e Lugar Nenhum. Pode ser encontrado no site www.neilgaiman.com.

   Ao longo de toda a existência humana, refletimos sobre as questões fundamentais da vida, da morte, da natureza e de nossos relacionamentos. Surpreendentemente, em todo o globo terrestre e durante um espaço de tempo extremamente longo, nossas respostas para essas indagações têm sido idênticas: a criação de mitos. A mitologia nórdica, por exemplo, que floresceu antes da cristianização da Escandinávia, dizia respeito às histórias dos deuses pagãos, heróis e reis contadas na Escandinávia, no norte da Alemanha e na Islândia. Embora não fizessem registros escritos até o século XI — um processo que se estendeu até o século XVIII —, as histórias já existiam desde muitos séculos antes dessa época.
   Desde sempre afeiçoado pela herança cultural escandinava, Neil Gaiman, então, se propôs a registrar em uma coletânea as mais célebres histórias da mitologia nórdica — mostrando que seu uso na atualidade e toda a sua iconografia ainda conseguem surpreender o leitor. São 15 contos que partem da origem do universo até o fim do mundo, mostrando a relação, permeada pelos mais diversos conflitos, e a jornada de personagens como Odin, o mais poderoso dos deuses, Thor, o deus do trovão, e Loki, o deus da trapaça
   Logo em sua apresentação, Gaiman tece uma espécie de filosofia da composição para Mitologia Nórdica, ressaltando a dificuldade que teve em escolher um universo favorito de lendas e mistos, a afeição nata pelas histórias escandinavas, as inspirações para escrever a antologia e comentando sobre a dicotomia existente entre relatos orais e escritos, o que fez como que muitas narrativas, como a de Vor, a deusa da sabedoria e Sjofn, uma deusa do amor, fossem perdidas, enterradas e esquecidas. O autor, por fim, alerta-nos sobre a originalidade de sua coletânea, que não se atreveu a revisitar narrativas de contadores de mitos nórdicos e sugere que nos apropriemos das histórias presente em Mitologia Nórdicaafinal, essa é a graça dos mitos: ler e depois, em uma noite gelada de inverno ou em uma quente de verão, contar aos amigos o que aconteceu quando o martelo de Thor foi roubado ou como Odin obteve o hidromel da poesia para os deuses.
   Um dos melhores contos e que, acredito eu, ganhou algumas poucas características inéditas foi O Hidromel da Poesia, que narra a origem da música, das histórias e de todas as poesias. Além deste, há outros que merecem destaque, como A Cabeça de Mímir e o Olho de Odin, onde o autor reconta como Odin se tornou o Pai de Todos e adquiriu sua imensurável sabedoria e Thor na Terra dos Gigantes, que traz uma perspectiva bastante peculiar sobre a velhice e a força do poderoso deus do trovão. 

   Mitologia Nórdica foi a minha primeira experiência completa com uma obra de Gaiman. Já havia lido um conto seu (Como O Marquês Recuperou Seu Casacospin-off de Lugar Nenhum) presente em O Príncipe de Westeros e Outras Histórias e, inclusive, não cheguei a me afeiçoar muito pela história. O motivo foi o mesmo elencado pela Bianca na resenha de Alerta de Risco: havia a sensação de que ainda não estava pronto para ler algo do autor. Como minha parceira de resenha, fiz bem em esperar meu nível de leitura se elevar e amadurecer para finalmente pegar uma obra de Gaiman que fosse densa, profunda e criativa, tal como sempre ouvi falar.
   Narrado em terceira pessoa, com uma linguagem limpa, fácil, cheia de vida e, principalmente, fluida, Mitologia Nórdica traz em suas quase 300 páginas contos bem curtos e que oferecem uma excelente opção para quem gosta de histórias breves e, claro, para quem é fã dos mitos nórdicos. Eu já havia lido uma coletânea sobre mitologia nórdica (Os Filhos de Odin, de Padraic Colum) e pude perceber que a principal diferença que se pode encontrar, entre o que outros escritores recontaram e o que Gaiman recontou, está na narrativa. Enquanto a grande maioria dos autores se debruçam sobre uma escrita cansativa, extremamente formal e densa, Gaiman traz em seus quinze contos uma escrita agradável e igualmente objetiva, regada ao senso de humor e as piadas que se tornaram marca registrada do autor.
   Segundo o Omelete, um dos pontos principais para o autor foi que nenhuma história do livro foi criada do zero — o que Gaiman se permitiu fazer foi dar uma nova roupagem a elas. Em entrevista ao site, ele contou que o processo de criação foi cansativo para alguém acostumado a criar seus próprios universos. "O que eu sou bom em fazer é justamente criar coisas e a minha regra era que eu não poderia. Mas eu podia criar a nível de detalhes colaborativos, ou seja, se a história diz que um personagem foi de um ponto para outro, eu podia fazer uma interpretação pra ele de como foi ir de um ponto ao outro." Gaiman disse ainda que fez muito disso ao longo do livro — por exemplo, para construir a história do capítulo "O Hidromel da Poesia", o autor precisou buscar detalhes em outros contos para deixar a trama bem amarrada.

"Até o martelo de Thor foi culpa de Loki. Com ele, era assim: havia ressentimento até mesmo junto à maior gratidão, e havia gratidão mesmo no momento em que ele era mais odiado".


Olá, galera, tudo bem? De hoje até o dia 14 o blog vai falar sobre a trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei, junto com os demais parceiros da Editora Intrínseca. A ideia é apresentar a série e falar sobre os personagens que amamos na semana do Dia dos Namorados aqui no Brasil. No dia de hoje, vocês vão conhecer um pouco sobre a série.

— APRESENTAÇÃO DA SÉRIE —

1 - PARA TODOS OS GAROTOS QUE JÁ AMEI.
Sinopse: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.


Livro: A Melodia Feroz
Título Original: This Savage Song
Autor(a): Victoria Schwab
Editora: Seguinte
Páginas: 384
ISBN: 978-85-5534-041-3
Sinopse: Kate Harker e August Flynn vivem em lados opostos de uma cidade dividida entre Norte e Sul, onde a violência começou a gerar monstros de verdade. Eles são filhos dos líderes desses territórios inimigos, e seus objetivos não poderiam ser mais diferentes. Kate sonha em ser tão cruel e impiedosa quanto o pai, que deixa os monstros livres e vende proteção aos humanos. August também quer ser como seu pai: um homem bondoso que defende os inocentes. O problema é que ele é um dos monstros, capaz de roubar a alma das vítimas com apenas uma nota musical. Quando Kate volta à cidade depois de um longo período, August recebe a missão de ficar de olho nela, disfarçado de um garoto comum. Não vai ser fácil para ele esconder sua verdadeira identidade, ainda mais quando uma revolução entre os monstros está prestes a eclodir, obrigando os dois a se unirem para conseguir sobreviver.

DUOLOGIA "MONSTROS DA VIOLÊNCIA"
    1.  A Melodia Feroz
    2.  Our Dark Duet (Nosso Dueto Sombrio, em tradução literal | 13 de junho de 2017)

Victoria Schwab é autora de romances jovens adultos e de fantasia, como A Guardiã de Histórias e a série Um Tom Mais Escuro de Magia. Quando não está escrevendo ou sonhando com monstros em algum café, Victoria gosta de viajar, fazer biscoitos e assistir a séries da BBC. A Melodia Feroz é o primeiro livro da série Monstros da Violência, lançado em 2016 nos Estados Unidos e em 24 de maio aqui no Brasil pela Editora Seguinte, selo da Companhia das Letras.

    Os Estados Unidos se dividiu em dez territórios após um colapso político e econômico. Para se reconstruir, ele não apenas se dividiu nesses dez territórios como também tornou cada um deles independentes. O mais imponente é Veracidade, mais conhecida como Cidade V. Também é o mais temido, pois, com tantos anos de guerras, monstros começaram a se originar a partir da violência dos humanos. Veracidade é dividida por dois lados: o Norte, controlado pelo tirano Callum Harker, que fez com que os monstros que habitam seu território sejam propriedade dele definindo essa servidão com a marca do seu H em seus rostos; além disso, se a população quer se ver protegida de tais monstros, tem que pagar altas quantias em dinheiro para ele. Do lado Sul, quem está no comando é Henry Flynn, um homem bom que faz de tudo para manter seu povo sob proteção evitando que um nova guerra venha a eclodir.
    Existem três tipos de monstros: corsais, malchais e sunais. Esta última categoria é a mais rara e mal se sabe sobre eles. Apenas o lado Sul contém essas criaturas que, ao contrário dos demais monstros, conseguem assumir a forma humana quando não se entregam à maldade das trevas. Além disso, têm a forma mais sublime de atacar: através da música, eles roubam as almas dos humanos, e assim se alimentam. August Flynn é um dos três protegidos de Henry Flynn, que o criou como filho. Mas August não aguentava ficar preso em casa só com a permissão de sair à noite para se alimentar. Ele queria ajudar naquela batalha, a proteger a população do Sul. Depois de muito insistir, seu pai e seu irmão mais velho, também um sunai, lhe designam a missão de ficar de olho em Kate Harker.
    Kate é filha de Callum Harker e pretende ser digna de herdar tudo o que o pai conquistou através de tirania e ambição. Porém, desde a morte de sua mãe num acidente de carro enquanto as duas fugiam juntas da fortaleza Harker, o pai a tem afastado sempre que pode. Mas tudo o que Kate quer é ficar perto dele e mostrar do que pode ser capaz. Por isso, arrasta consigo um histórico longo de rebeldias a cada internato em que seu pai lhe coloca – sempre na região do Ermo, local neutro na guerra – até que ele finalmente concorda que ela volte a morar com ele em sua fortaleza na Cidade V, e a matricula numa escola do lado Norte. O que ele não sabe é que lá um sunai está a espreita de sua filha. 
    No meio colegial, Kate e August logo se identificam. Ambos não conseguem se misturar com facilidade – ela, por ser uma Harker com uma péssima reputação por todas as travessuras que aprontou em colégios anteriores; ele, além sempre ter estudado em casa e não ter sido educado para conviver entre tantas pessoas, não consegue se encontrar ali porque sabe que não é humano como os outros e tem que fingir o tempo todo ser quem não é. Mesmo tendo recebido a missão de vigiar a filha do inimigo, ele não consegue evitar gostar de Kate. Mesmo acreditando que não deve se misturar com os outros por ser uma Harker, ela não consegue evitar gostar de August. E é assim que surge a união que pode vencer aqueles que pretendem iniciar uma nova guerra e acabar com a paz na Cidade V.


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:


"Uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: 'Eu sobrevivi'".
— Pequena abelha (Chris Cleave)


''É engraçado, quando as pessoas chamam você de "tímido", elas em geral sorriem. Como se fosse uma coisa engraçadinha, alguma pequena mania da qual você vai se livrar depois de grande, como as falhas quando os dentes de leite caem. Se soubessem como é ser tímido de verdade e não apenas insegura ao ser presentado a alguém, elas não sorririam. Não se soubessem como aquela sensação dá um nó em seu estômago, ou faz suar as palmas das mãos, ou rouba sua habilidade de dizer qualquer coisa com sentido. Não é nada engraçadinho.''
— Noite eterna (Claudia Gray)


"São os gestos e não as palavras que devem dar força e credibilidade às próprias escolhas".
—  25 minutos (Franz Cariasco)


Bem-vindos a mais um post da coluna Li Até A Página 100 e..., onde apresentamos nossas primeiras impressões sobre os livros que estamos lendo atualmente e que, futuramente, iremos resenhar. O livro de hoje é o A Melodia Feroz, da escritora Victoria Schwab. 



PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100: "Harris tinha dezoito anos e seu cabelo escuro escapava do quepe".

DO QUE SE TRATA O LIVRO: 
O cenário é uma cidade em clima de tensão. Trata-se de Veracidade, ou simplesmente Cidade V, dividida entre Sul e Norte. A violência que domina a cidade acabou criando monstros  O lado Norte, controlado pelos Flynn e o lado Sul por Harker. August Flynn e Kate Harker são filhos dos líderes desses dois territórios. Ela quer se tornar uma tirana como o pai e sempre faz de tudo para mostrar que é digna de ser sua herdeira. Ele também se espelha no pai, mas diferente de Kate, não é um humano comum, é um dos monstros e tem com missão vigiar todos os passos da filha do inimigo.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?
A leitura ainda está muito lenta, ela não pegou o ritmo que eu esperava, já que ainda não terminou de apresentar os personagens e suas histórias. Então ainda não estou totalmente envolvida.

O QUE ESTÁ ACHANDO DO PERSONAGEM PRINCIPAL?
Os personagens também não estão bem definidos em minha visão. Pelo August me encantei de imediato, pois se trata de mais um jovem que não consegue encontrar a si mesmo em meio a tanto caos. Com Kate é basicamente a mesma coisa, mas ela ainda me deixa confusa, já que quer ser exatamente como o pai, mas ainda assim consegue enxergar o quão errado ele está em suas atitudes sádicas. É como se ela tivesse sido construída sobre dois pilares. O que eu espero é que ao longo da história a personalidade dos personagens fiquem mais definidas.

MELHOR QUOTE ATÉ AGORA:

“A vida de uma pessoa não era exatamente uma linha, mas uma árvore, e cada decisão era um galho divergente, resultando numa pessoa divergente”.

VAI CONTINUAR LENDO?
Sim, porque apesar de a história não ter me prendido até agora, gostei muito da proposta do enredo, pois apesar de seguir a fórmula que normalmente há nos Young Adults (YA), é original. O que eu espero é que ao longo do livro a personalidade dos personagens fiquem mais definidas e eu possa me apegar mais por cada um deles – o que eu quero mesmo é ficar com os nervos à flor da pele como sempre fico com esse tipo de ficção.

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA 100: "Olhar além da sua...".


Olá, leitores! Na coluna Ao Redor do Globo de hoje trarei as diversas capas que foram publicadas em vários lugares do mundo de um mesmo livro: O Bazar dos Sonhos Ruins (confira a resenha aqui!), do autor Stephen King.

"A vida é cheia de grandes perguntas, não é? Fatalidade ou destino? Céu ou inferno? Amor ou paixão? Razão ou impulso? Beatles ou Stones?"


Estas são as três capas. Parecidas, mas publicadas em diferentes países. A primeira foi publicada no Brasil, pela editora Suma de Letras, o selo que publica as obras de King na Cia das Letras. A última foi publicada na Espanha pela editora Plaza Janés. Ambas mantiveram a capa original, que é a do meio, publicada nos Estados Unidos pela editora Scribner.

Esta é a versão da Turquia, publicada pela editora Altin. Ela é praticamente igual às mostradas acima, já que manteve a ilustração da versão original, modificando apenas o posicionamento, a fonte e o tamanho das palavras.


Livro: Correndo para Você
Título Original: Run to You
Autor(a): Rachel Gibson
Editora: Jardim dos Livros
Páginas: 247
ISBN: 978-85-63420-86-2
Sinopse: Stella Leon é uma bela mulher. Aos vinte e oito anos ela já viveu muitas aventuras em Miami, onde vive e trabalha como garçonete. Brigas, sensualidade e rock'n'roll fazem parte de sua rotina. Mas o que está prestes a acontecer colocará sua vida de pernas pro ar! Um homem misterioso (e lindo) está à sua procura. Ele traz notícias de um passado que Stella não quer lembrar, e para onde não pretende voltar de jeito nenhum. Por que ela deveria deixar tudo pra trás e ir com ele para o interior do Texas? Por algum motivo, Stella confia nele. Por alguma razão ela se sente totalmente quente perto dele...

SÉRIE "LOVETT, TEXAS"
    1.  Daisey está na cidade
    2.  Maluca por você
    3.  Salve-me
    4.  Correndo para você

Com a primeira publicação da autora Rachel Gibson, bestseller do New York Times, os leitores descobriram uma das mais novas vozes do romance contemporâneo. Quatro de seus livros foram listados entre os "Dez livros favoritos do ano" pela Romance Writers of America. Ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Borders Bestselling Romantic Comedy, o National Reader's Choice, e dois prêmios RITA de Melhor Título e Romance Contemporâneo do Ano. Escritora dos famosos romances Loucamente Sua, Simplesmente Irresistível, e Sem clima para o amor. Em 2004, Gibson deu início à série Lovett, Texas, lançando o último, Correndo Para Você, em 2013. www.rachelgibson.com.

  Estella Immaculada Leon-Hollowell, mais conhecida como Stella Leon é uma mulher independente e de personalidade forte. Após ter passado por vários altos e baixos ao longo de sua trajetória de 28 anos, ela se estabelece como garçonete num bar de Miami frequentado principalmente por drag queens que agitam a noite do lugar. Stella vive de forma solitária, se envolve vez ou outra num relacionamento em que nunca se sente totalmente preenchida e realizada, por isso, já se acostumou a virar-se sozinha e a seguir sempre em frente para tentar esquecer as mágoas do passado.
   Quando ainda era jovem, a mãe de Stella, Marisol, foi amante de um rico fazendeiro do Texas e engravidou dele. Já casado e com uma filha, o poderoso Clive Hollowell não quis assumir a bastarda que teve com a amante. Assim, Marisol saiu da vida de Clive e levou Stella consigo, que cresceu sem o pai e com uma enorme expectativa de que ele um dia a reconhecesse como filha. Porém, isso não se concretizou, e, apesar de arcar com todas as despesas que ambas tinham, nunca foi um pai presente – Stella só lembra de ter se encontrado com ele umas cinco vezes no máximo. Depois de tanto tempo, Clive morre e isso causa uma reviravolta na vida de sua bastarda, já que a meia-irmã mais velha, Sadie, que, aos olhos de Stella, sempre foi mais privilegiada que ela, agora quer conhecê-la e para isso contratou o ex-fuzileiro da Marinha, Beau Junger.
    Beau, de 38 anos, cresceu vendo o pai trair a mãe descaradamente. Seu irmão gêmeo, Blake, nunca viu problema nisso, mas Beau se desentendeu com o pai, e, ao invés de seguir seus passos como todos esperavam, tornou-se um fuzileiro – a profissão que seu pai, um Seal do Exército Americano, mais desprezava no meio militar. Beau nunca quis envolver-se com mulher nenhuma, pois tentava evitar cair no mesmo erro que o pai ao assumir um compromisso sério. Por isso, aproveitava a vida saindo com várias mulheres, mas nunca sentindo nada por nenhuma delas. Um dia, ele toma uma decisão e promete para si mesmo: vai parar de se divertir sem compromisso e a próxima mulher que tiver em seus braços será aquela que ele ama e com quem ele pretende casar para constituir uma família. O que ele não esperava era dar de cara com Stella Leon e teme que sua promessa seja quebrada.

    Sempre piso em ovos quando se trata de ler new adult, principalmente se envolve romance erótico pelo fato de que é um gênero responsável por muitas das minhas decepções literárias. Vários foram os livros aos quais dei uma oportunidade e acabei me deparando só com mais um clichê. Há um bom tempo não peguei em outro desses para me aventurar, preferia não arriscar. Porém, decidi dar uma oportunidade a Rachel Gibson, pois é uma autora de quem ouço muito falar e conheço pessoas que curtem seus livros. A série Lovett, Texas se tornou bastante conhecida, mas para ler este quarto livro não li nenhum dos três primeiros. Mesmo assim não prejudicou a leitura em nenhum momento, ou seja, concluí que, felizmente, nenhum conhecimento prévio era necessário e pude ler Correndo para você como mais um avulso.
    A escrita de Gibson é simples e polida. Leve, sem floreios, ela consegue prender o leitor em suas palavras. As descrições são perfeitas e tecem todo o mundo do livro na mente de quem lê. A sensação é que a seleção é bem clara: a narração se prende nas partes que realmente importa e deixa outras de fora, mas ainda assim o enredo não deixa de ser completo e objetivo. A narrativa ocorre em terceira pessoa e tem como foco principal Stella e, em segundo lugar, Beau, cuja história é narrada em segundo plano. Mas também há o retorno de focos como Vince, personagem de Salve-me, o primeiro livro da série.

"Sonhos eram coisas tolas com um alto custo emocional" (p. 43).


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