Livro: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação
Autor (a): Felipe Castilho
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
ISBN: 978-85-510-0269-8
Sinopse: Você destruiria seu mundo em nome da verdade? A última região habitada do mundo, Untherak, é povoada por humanos, anões e gigantes, sinfos, kaorshs e gnolls. Nela, a deusa Una reina soberana, lembrando a todos a missão maior de suas vidas: servir a Ela sem questionamentos. No entanto, um pequeno grupo de rebeldes, liderado por uma figura misteriosa, está disposto a tudo para tirá-la do trono. Com essa fagulha de esperança, mais indivíduos se unem à causa e mostram a Una que seus dias talvez estejam contados. Um grupo instável e heterogêneo que precisará resolver suas diferenças a fim não só de desvendar os segredos de Untherak, mas também enfrentar seu mais terrível guardião, o General Proghon, e preparar-se para a possibilidade de um futuro totalmente desconhecido. Se uma deusa cai, o que vem depois?Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é o preâmbulo da jornada de quatro improváveis heróis lutando pela liberdade de um povo, um épico sobre resistir à opressão, sobre lutar contra o status quo e construir bravamente o próprio destino. Porta de entrada para um novo mundo com inspirações de fantasia medieval, personagens marcantes e uma narrativa que salta das páginas a cada vila, ruela e beco de Untherak.

Felipe Castilho é autor de livros de fantasia. Famoso pela série O legado folclórico, que une mitologia brasileira com o mundo dos videogames, foi indicado ao Prêmio Jabuti pelo quadrinho Savana de pedra. Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é seu livro de estreia na editora Intrínseca, lançado em conjunto com Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Souza durante a CCXP, em dezembro do ano passado.

    Una – este é o nome da deusa que reúne em si os seis primeiros deuses, aqueles que criaram o mundo e tudo o que nele existe. Eles criaram as montanhas, onde habitavam os gigantes. Criaram as cavernas, onde habitavam os anões. Criaram as águas, onde habitavam os gnolls (criaturas velozes, hábeis e silenciosas). Criaram os bosques e neles puseram os sinfos (seres pequenos e frágeis, que têm forte ligação com a natureza). Para os terrenos rochosos e selvas fechadas, fizeram os kaorshs (de forma humanoide, são criaturas altas e esguias com a capacidade de dar cor às coisas). Por fim, deram aos humanos as planícies, para que pudessem plantar, colher e amar tudo que era cultivado.
   Com o tempo, os humanos passaram a invejar as outras criaturas e disseminaram caos, que só resultou em morte, destruição e derramamento de sangue. Foi assim que os deuses condenaram todas as seis raças com fortes punições, transformando os gnolls em monstros irracionais, os sinfos tiveram seu tempo de vida reduzido, os anões ficaram confinados em cavernas, os kaorshs tiveram as cores presas em seus corpos como camaleões, os gigantes foram praticamente extintos, e os humanos se tornaram a mais fraca de todas as raças. Diante de tantos lamentos, o mundo foi chamado de Degradação e passou  ter apenas uma região habitável: Untherak.
    Os seis deuses, revoltados com o derramamento de sangue, proibiram a cor vermelha, e após todos esses eventos, se tornaram Una, uma só deusa. A partir daí o mundo tomou outro rumo e as raças passaram a servir Una e a adorá-la, vivendo em eterna servidão – em maior ou menor grau. O tempo passou, e essa foi a história contada durante séculos. Como forma de liberar a violência e promover um show para si e para o povo, Una criou o Festival da Morte, onde o pai de Aelian, um simples humano, foi morto quando ele ainda era pequeno. Depois de anos sem ouvirem falar no tal Festival, uma nova edição passa a ser organizada. 
    Algum tempo se passou, Aelian cresceu e se tornou um ótimo escalador, violador de regras e servo de um poleiro. Mas nunca esqueceu o que aconteceu com seu pai. Quando fica sabendo que duas kaorshs – as esposas Raazi e Yanisha – se inscreveram no Festival, e parecem dispostas a lutar até a morte como fez o seu pai, Aelian resolve ajudar e alertá-las do perigo. Porém, isso acaba desencadeando uma série de eventos que nem ele, nem as kaorshs, poderiam imaginar. Agora, mais do que nunca, eles precisam se unir a um grupo improvável de rebeldes e desmascarar o sistema que assolou o povo de Untherak desde o início dos tempos.

"Untherak era um corpo doente, como a maioria de seus moradores" (p. 377).

    Ouvi falar sobre Felipe Castilho no ano passado, quando concorreu ao prêmio Jabuti por Savana de Pedra. Quando soube que lançaria um livro na CCXP em dezembro do mesmo ano, fiquei animada, pois se tratava do primeiro livro lançado no evento e isso, claro, representou um grande avanço para a literatura nacional contemporânea. Já havia recebido a recomendação para ler Ordem Vermelha, pois gosto de todo tipo de fantasia, mas das muitas obras do gênero que li poucas foram nacionais. Antes mesmo de conhecer a história, o livro já despertou meu interesse, e após ouvir falar mais, o desejo de me aventurar pelas páginas dele só aumentou.
    A narrativa ocorre em terceira pessoa e tem como focos os protagonistas e alguns secundários, cujos pontos de vista alternam a cada capítulo. Ela é linear, porém, entrecortada por uma narração paralela, que mostra a continuação da história no futuro através dos olhos de um personagem misterioso, que só revela sua identidade no capítulo final – ela é mostrada ao fim de cada uma das partes (o livro é dividido em três). A escrita de Castilho é objetiva e bem formulada, encaixando-se bem naquilo que se espera de uma fantasia, conseguindo prender o leitor do início ao fim. A história segue um ritmo frenético – apesar de possuir clímax bem definido, conta com diversas cenas de ação.
   Como o próprio autor afirma em seus agradecimentos, é possível notar as várias referências utilizadas na obra – desde inspirações em produtos da cultura pop até referência a sistemas políticos e econômicos semelhantes ao Brasil. Trabalhando com diversas criaturas fantásticas como sinfos (muito parecidos com o que conhecemos como elfos ou fadas), anões e gigantes, foi impossível não lembrar de O Senhor dos Anéis e até da mitologia nórdica.
    Quando a história se referia ao funcionamento do governo de Una, baseado na adoração sem limites à deusa e na servidão cruel do povo, não pude evitar fazer ligações diretas com o tipo de governo brasileiro (o antigo e o atual) e outros governos tiranos ao redor do mundo. O pano de fundo da narrativa também lembra bastante o tempo medieval – e o que não falta para esse cenário são referências! O mais incrível é que Castilho conseguiu juntar todos esses elementos previamente concebidos e montar uma história cheia de originalidade.
    Cada personagem tem sua história para contar e seus dramas pessoais. Aelian é o que mais chama a atenção, pois acompanhamos seus passos desde o começo e sentimos junto com ele a perda dos pais – graças ao temido Festival da Morte. Apesar de ter todos os motivos para se encolher num canto e chorar, Aelian é ousado, destemido e ativo, sempre buscando telhados para pular e regras para quebrar. Ele é o tipo de personagem que vai amadurecendo aos poucos e consegue conquistar facilmente, mesmo sendo um “mocinho” nada típico: cheio de falhas e questões morais a serem resolvidas. Raazi, a kaorsh que ao lado da esposa resolve encarar o desafio na arena do Festival da Morte, é tão corajosa quanto boa lutadora, e minha personagem preferida da série até então.

"A música tocada dentro da cabeça era um segredo que ninguém poderia tirar dela, ao contrário do ouro e de tudo o mais que poderia ser roubado, vendido ou destruído.
– Quando uma música é ensinada a alguém, ela se torna capaz de viver mais que os nossos corpos" (p. 88).


Olá, leitores! Na coluna Li até a página 100 e... de hoje, apresentarei minhas primeiras impressões sobre o primeiro livro da Trilogia Ordem Vermelha: Filhos da Degradação, do brasileiro Felipe Castilho.


PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100: "Ouviu um guincho vindo do céu crepuscular e estendeu o braço para o falcão pousar, com irrefutáveis penas negras presas ao bico".

DO QUE SE TRATA O LIVRO: Ele retrata um outro mundo – Untherak, a última região habitada –, onde humanos, kaorshs, gnolls, anões, gigantes e sinfos o habitam, tendo como único propósito servir à sua criadora: a deusa Una. Em tempos remotos, as criaturas se rebelaram e disseminaram o mal sobre a Terra, liberando a ira da deusa, que os condenou à servidão sob o peso dos Autoridades – aqueles que a representam. É no meio desse cenário que conhecemos Aelian, um jovem rebelde que perdeu seus pais no terrível Festival da Morte. Anos depois, o Festival voltará a acontecer e as esposas Yanisha e Raazi precisam fazer algo, pois carregam um grande segredo que mudará o destino de toda Untherak.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?
Apesar de a história ainda estar envolta em muitos mistérios, estou achando sensacional. Não consegui pegar o ritmo da leitura, pois até então não está fluída, mas tenho que reconhecer que o universo criado por Castilho é original e encantador – características que já me fizeram valorizar a história.

O QUE ESTÁ ACHANDO DO PERSONAGEM PRINCIPAL?
Dois personagens se destacaram como protagonistas: Aelian e Raazi. Ambos são diferentes e têm motivações distintas, porém são conquistáveis à sua maneira. Ao mesmo tempo em que aparentam ser um livro aberto, eles ainda têm muito o que contar.

MELHOR QUOTE ATÉ AGORA:
"O tempo tem a capacidade de transformar tudo, exceto a si mesmo. Ele derruba muralhas, modifica raças, transfigura uma pessoa em outra e deturpa memórias. No entanto, será sempre o tempo". 

VAI CONTINUAR LENDO?
Claro! Além de estar fascinada pelo universo em que a história se passa (todo o cenário medieval me tira o fôlego só de imaginar) também estou curiosa sobre todas as coisas que ainda precisam ser desvendadas.

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA 100: "Por fim, percebeu que toda aquela montanha de alimentos eram só cebolas".


Livro: Todo Dia a Mesma Noite: A História Não Contada Da Boate Kiss
Autor (a): Daniela Arbex
Editora: Intrínseca
Páginas: 244
ISBN: 978-85-510-0285-8
Sinopse: Reportagem definitiva sobre a tragédia que abateu a cidade de Santa Maria em 2013 relembra e homenageia os 242 mortos no incêndio da Boate Kiss. Foram centenas de horas dos depoimentos de sobreviventes, familiares das vítimas, equipes de resgate e profissionais da área da saúde – ouvidos pela primeira vez neste livro –, para sentir e entender a verdadeira dimensão de uma tragédia sobre a qual já se pensava saber quase tudo. A autora construiu um memorial contra o esquecimento dessa noite tenebrosa, que nos transporta até o momento em que as pessoas se amontoaram nos banheiros da Kiss em busca de ar, ao ginásio onde pais foram buscar seus filhos mortos, aos hospitais onde se tentava desesperadamente salvar as vidas que se esvaíam. Foi também em busca dos que continuam vivos, dos dias seguintes, das consequências de descuidos banalizados por empresários, políticos e cidadãos. 

Daniela Arbex trabalha há 22 anos como repórter especial do jornal Tribuna de Minas. Suas investigações resultaram em mais de 20 prêmios nacionais e internacionais, entre eles três Essos, o IPYS de melhor investigação da América Latina e o Knight Internacional. Estreou na literatura com Holocausto brasileiro e em seguida lançou Cova 312, com os quais ganhou dois prêmios Jabuti. Recentemente, virou documentarista e seu filme Holocausto brasileiro ganhou as telas da HBO em 40 países. Daniela mora em Minas Gerais com o marido e o filho.

    Duzentos e quarenta e dois, 242 – parece apenas mais um número. Mas no dia 27 de janeiro de 2013 (e nos vários tormentosos dias que se seguiram), ele ganhou outro significado. Faz mais de cinco anos desde a tragédia da Boate Kiss em Santa Maria, que teve a capacidade de parar o Brasil e chamar a atenção como o quinto maior desastre do país, o segundo maior em número de vítimas em um incêndio, o maior do Rio Grande do Sul e o terceiro maior em casas noturnas do mundo. Sim, são muitos números. Mas os números nunca indicam a história por trás deles, e é isso que Todo dia a mesma noite se dispõe a fazer.
    Baseando-se em depoimentos dos sobreviventes, da equipe de resgate que atuou no acontecimento e dos familiares das vítimas, Daniela Arbex faz uma reconstituição dos eventos ocorridos naquele 27 de janeiro e busca ir além dos números. Ela conta as histórias dos jovens personagens que tiveram suas vidas brutalmente arrancadas – não apenas a deles, mas a de todos que estavam ao seu redor. A dor e a ânsia por justiça se encontram em cada palavra (dita e não dita). Cada uma das vidas ali perdidas tinham suas próprias histórias, seus próprios dramas e sentimentos. Arbex mostra que o país não estava preparado para algo de tamanha magnitude: não havia espaço para os corpos daqueles que morreram nem para os feridos, o que contrasta com a situação da boate naquela noite, que ocupava muito mais do limite suportado – a capacidade do local não passava de 691 pessoas, mas havia aproximadamente 1500 no momento do incêndio.
  Porém, Todo dia a mesma noite não traz apenas relatos dos personagens que passaram por essa tragédia. Ele também denuncia e reúne todos os fatos, mostrando que o incêndio na Kiss não foi um simples acidente, e sim uma série de erros e omissões por parte de todos os envolvidos. E quem pagou o maior preço foram aqueles que nada tiveram a ver com tais falhas. Desde que a boate entrou em funcionamento (no ano de 2009) sempre esteve desregularizada em algum aspecto, seja com relação ao Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) ou com o alvará de localização, levando a conclusão de que, dentro dos termos legais, a casa noturna não deveria estar em funcionamento naquele dia.

    Meu primeiro contato com uma obra de Daniela Arbex foi com Cova 312, a qual tive o prazer de resenhar aqui no blog, e se tornou um dos melhores livros de não-ficção que já li. Desde então, tenho acompanhado o trabalho da autora e admirado seu talento para lidar com as questões humanas de forma humanizada – o que parece óbvio, pois é assim que sempre devem ser tratadas, mas ao observar o ritmo do mercado jornalístico, percebemos que na prática não é isso que ocorre. Como falei no início, números parecem mais importantes na hora de relatar os acontecimentos, além de ser mais prático. Mas o que garante que as obras de Arbex – incluindo Todo dia a mesma noite – sejam tão especiais, é justamente o olhar e o tratamento que ela dá a cada detalhe que compõe a narrativa. Novamente, Arbex dá um exemplo de jornalismo e mostra que não é suficiente apenas apurar os fatos, mas também pôr sentimento no que está sendo escrito.
    A narrativa é crescente, porém não-linear. Com bastante fôlego, a escrita da autora segue um rumo onde todos os acontecimentos são retratados no momento certo. A cada capítulo, ela nos apresenta uma parte da história, mas não as finaliza ali. Todas têm um ponto de encontro à medida que o livro está chegando ao seu desfecho. Porém, esse desfecho ainda não é o fim da história e isso fica muito claro, ou seja, se daqui a uns anos outro livro seja escrito a respeito do incêndio da boate Kiss, talvez o rumo da narração dos fatos seja diferente. Claro que algumas coisas jamais podem mudar, mas os processos ainda seguem e os pais das vítimas continuam lutando por justiça ao lado de todo o Brasil.

"O trabalho dos legistas junto às vítimas seguiu silencioso durante quase todo o período, mas, de tempos em tempos, podiam-se ouvir lamentos que quebravam a dureza da função. Nenhum mecanismo de proteção os isentou de chorar por Santa Maria e por tudo o que a soma de vítimas naquele ginásio representava: mais de 9 mil anos potenciais de vida perdidos, considerando a expectativa dos brasileiros de 75 anos. Não havia como ficar imune ao sofrimento provocado pela tragédia. Naquele domingo, a cidade inteira tinha seu coração preso dentro de um ginásio" (p. 104-105).


   A escrita é sucinta e objetiva, como toda reportagem deve ser. Porém, também segue a linha do jornalismo literário, em que encontrar o coração do leitor para tocá-lo e sensibilizá-lo é um dos principais objetivos. Todos os relatos tem o maior número possível de detalhes, é possível perceber toda essa dedicação e cuidado ao tratar dos casos. Falas e descrições foram reconstituídas para passar mais realismo e credibilidade, além de prender o leitor. A autora também tem como foco os objetos e o valor que cada um deles tinha para a vida das vítimas e de suas famílias – como o jovem Augusto, filho adotivo que levou a identidade por recomendação de sua mãe para que não fosse confundido com outra pessoa numa abordagem da polícia, e algumas horas depois essa mesma identidade fez com que seu corpo fosse reconhecido; ou como o celular da jovem que tinha 134 ligações não atendidas da mãe; ou ainda como Lucas Dias, que tinha um orgulho exacerbado de seu estado gaúcho, costumava usar roupas típicas da região, e acabou sendo enterrado com elas, além de ter a bandeira do Rio Grande do Sul estendida sobre seu caixão; ou talvez a última cartinha que Vitória escreveu para o Papai Noel, em 2012, um mês antes de sua morte, onde usou seu humor para pedir um camaro amarelo. 
   Todos esses detalhes fazem com que o leitor envolva-se profundamente nas histórias, e isso é o mais devastador. Compartilhei um pouco da dor das famílias e dos dramas de cada uma das vítimas retratadas. Isso fez com que me perguntasse o tempo todo o que teria acontecido se todos ainda estivessem vivos, se aquele sinalizador não tivesse sido acendido pelo vocalista da banda Gurizada Fandangueira (será que era só uma questão de tempo, como se fosse preciso uma tragédia ocorrer para chamar a atenção das autoridades?), se os donos da Kiss tivessem sido mais responsáveis e cumprido com todas as normas, se a fiscalização no Brasil fosse mais eficaz... São diversas perguntas que ficarão para sempre sem respostas.
    Porém, o trabalho de Arbex não parou por aí. Ela também mostra como estão hoje as famílias e amigos das vítimas, como estão tentando lidar com a morte delas. Ninguém saiu ileso de sofrer com as lembranças da tragédia, inclusive os profissionais que trabalharam em torno do caso. Muitos tiveram que recorrer a tratamentos psicológicos e psiquiátricos para tentar retomar suas vidas da melhor forma possível. Outros ainda usam o luto como luta – para parafrasear o lema "Do luto à luta" usado para fortalecer as esperanças daqueles que ainda esperam a justiça funcionar e punir os processados pelo caso. Mais de cinco anos se passaram, mas Todo dia a mesma noite é a maior prova de que todo dia é 27 de janeiro de 2013 para aqueles que ainda sofrem com as terríveis perdas daquela madrugada.


"Para quem perdeu um pedaço de si na Kiss, todo dia é 27. É como se o tempo tivesse congelado em janeiro de 2013, em um último aceno, na lembrança das últimas palavras trocadas com os entes queridos que se foram, de frases que soarão sempre como uma despedida velada" (p. 185).


Olá, leitores! Na coluna Li até a página 100 e... de hoje, apresentarei minhas primeiras impressões sobre o livro do brasileiro Aliel Paione, Sol e Sonhos em Copacabana.


PRIMEIRA FRASE DA PÁGINA 100: "Jean-Jacques entrou no quarto em que deixara Verônica, e parou um instante, admirando-a".

DO QUE SE TRATA O LIVRO: O livro tem como pano de fundo a Copacabana dos anos 1900 e gira em torno de Jean-Jacques Chermont Vernier, um jovem diplomata que chega ao Brasil por meio de uma transferência em seu emprego na França. Assim, ele une o útil ao agradável, já que sempre sonhou em conhecer as terras brasileiras desde os tempos de criança, em que seu avô lhe contava histórias do país tropical. Inteiramente encantado pelas riquezas naturais do Brasil – tanto quanto decepcionado pelo seu cenário político – ele acaba por se apaixonar pela bela Verônica, uma das prostitutas do famoso cabaré Mère Louise.

O QUE ESTÁ ACHANDO ATÉ AGORA?
A escrita de Paione é bastante polida e é muito prazeroso perceber todas as referências literárias que ele usou na obra. As descrições são detalhadas de maneira tão onírica, como se o Brasil fosse um verdadeiro paraíso. Porém, a realidade também bate à porta e Paione também retrata a situação política e econômica de um país que tinha tudo para funcionar bem, mas que, nas mãos da elite ambiciosa e egoísta, se torna fadado ao fracasso.

O QUE ESTÁ ACHANDO DO PERSONAGEM PRINCIPAL?
Jean-Jacques é um romântico sonhador. Educado, é capaz de manter uma boa conversa com todos os que cruzam seu caminho, é apaixonado pelas pessoas e pelas belezas que o Brasil carrega, sabendo enaltecer cada uma delas – mais que os próprios brasileiros. Ele é do tipo que vive intensamente, é extremamente romântico e cavalheiro, especialmente quando se trata de Verônica, por quem nutre um amor repentino e avassalador. Até o momento, Jean me conquistou, pois apesar de sua visão cheia de esperanças e sonhos, ainda mantém os pés no chão.

MELHOR QUOTE ATÉ AGORA:
"A vida é um risco, Verônica! E viver é sempre apostar na felicidade; mesmo que ela não venha, a sua busca nos consola e nos engrandece. O trágico é sonhar com o passado, é imaginar as possibilidades não vividas e que não voltam jamais". 

VAI CONTINUAR LENDO?
Sim, estou bastante empolgada para saber como terminará o romance impossível entre Jean e Verônica e como Paione descreverá o cenário político que se desenrolará – entre erros e acertos.

ÚLTIMA FRASE DA PÁGINA 100: "Intensamente excitada, recuou três passos, até a cabeceira da cama, e olhou para ele em êxtase".


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:




"Mas, simplesmente, não havia substituto para a perda de um homem que era o companheiro da minha alma, meu melhor amor, meu amante, a única coisa em que eu confiava num mundo nada confiável".
— Melancia (Marian Keyes).



"É tão fácil se esquecer de como o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas é imaginável e sistematicamente mal interpretadas".
— Cidades de Papel (John Green).


"Não se esforcem demais para ser uma casal perfeito, meu amor. Não fiquem se metendo na vida um do outro; não tenham medo de discutir, de calar a boca ou de contar umas mentirinhas bobas; ajude na limpeza; não deixe cuecas sujas do avesso largadas no chão; abaixe o assento na privada; compre flores para Ivy uma vez por mês e lhe dê um beliscão na bunda uma vez por semana. O resto é com você."
— Nós Dois (Andy Jones).


A editora Intrínseca anunciou recentemente para 09 de abril o lançamento da versão graphic novel de Deuses Americanos, o grande clássico de Neil Gaiman, adaptado recentemente pela Amazon. Confira a capa e a sinopse abaixo:


Sinopse: Mistura de road trip, fantasia e mistério, o romance Deuses americanos alçou Neil Gaiman à fama mundial e ao posto de um dos maiores escritores de sua geração. Agora, os fãs de quadrinhos e da obra-prima do autor têm mais um motivo para celebrar: chega às livrarias o primeiro volume das graphic novelsinspiradas em Deuses americanos. Ao todo, serão três volumes. Em Sombras, as cores e os traços vibrantes de P. Craig Russell e Scott Hampton nos apresentam Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de sair da prisão e descobre que sua mulher morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele aceita trabalhar para o enigmático Wednesday e embarca em uma viagem tumultuada e reveladora por cidades inusitadas dos Estados Unidos. É nesses encontros e desencontros que o protagonista se depara com os deuses - os antigos (que chegaram ao Novo Mundo junto dos imigrantes) e os modernos (o dinheiro, a televisão, a tecnologia, as drogas) -, que estão se preparando para uma guerra que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido.



Livro: Dias de Despedida
Título Original: Goodbye Days
Autor(a): Jeff Zentner
Editora: Seguinte
Páginas: 392
ISBN: 9788555340635
Sinopse:  "Cadê vocês? Me respondam."Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?

Jeff Zentner começou escrevendo músicas. Cantor e guitarrista, já gravou com Iggy Pop, Nick Cave e Debbie Harry. Passou a se interessar pela literatura jovem adulta depois de trabalhar como voluntário em acampamentos de rock no Tennessee. Morou no Brasil por dois anos, na região da Amazônia, e hoje vive em Nashville com a esposa e o filho.

   Desde que começou o ensino médio na Academia de Artes de Nashville, os momentos favoritos de Carver Briggs são as tardes livres que passa com seus melhores amigos, tomando milk-shake no parque e fazendo piada sobre tudo. Não que o garoto não goste das aulas — seu talento para escrita é reconhecido no colégio —, mas imaginar sua vida sem a companhia de Mars, Eli e Blake é impossível. Até as últimas férias. Os três amigos iam buscar Carver para mais uma tarde juntos, mas morreram em um acidente de carro no caminho, logo depois de Carver mandar uma mensagem de texto para Mars, que estava dirigindo. O celular é encontrado com uma resposta digitada pela metade, e agora as famílias dos garotos estão divididas: teria sido a mensagem o motivo do acidente? 
   Um novo ano letivo está prestes a começar e, além de ter de lidar com o luto, a saudade e a culpa, Carver também precisa enfrentar as ameaças do juiz Edwards, pai de Mars, que pretende investigar o caso criminalmente. O juiz tem ao seu lado Adair, a irmão gêmea de Eli, que faz questão de acabar com a reputação de Carver no colégio. Por outro lado, o garoto conta com o apoio da própria família, especialmente sua irmã Georgia, que o convence a fazer terapia
   Na escola, ele também não está sozinho: Jesmyn, que namorava Eli, é sua nova amiga — mas a proximidade entre os dois acaba por alimentar ainda mais os boatos de Adair. Enquanto tenta conviver com tudo isso, Carver precisa decidir se vai atender a um pedido da avó de Blake. Como não teve oportunidade de dizer adeus ao neto, vovó Betsy quer promover um dia de despedida, no qual Carver a acompanharia em todas as atividades que ela gostaria de ter feito com Blake no último dia de vida dele. De repente, as famílias de Eli e Mars também embarcam nessa ideia, colocando o garoto em uma montanha-russa emocional. 

   Confesso que Dias de Despedida me chamou atenção desde que foi anunciado como "uma leitura indispensável para os fãs de Jennifer Niven e John Green" — e, pessoal, a Seguinte não poderia estar mais certa ao recomendar e publicar esse young-adult. Jeff Zentner consegue ser ainda mais original, sensível e criativo que Green e Niven, dois autores com PhD na criação de uma literatura que representa libertação — uma consulta com um terapeuta chamado verdade que conta com a ajuda de uma psicóloga chamada vida. Sinceramente, não confio muito em minha capacidade de colocar em palavras tudo o que esse livro me ensinou, tudo que ele me fez sentir e tudo o que causou em minha vida — só sei que os danos foram (e sempre serão) irreparáveis! 
   Mergulhei de cabeça em Dias de Despedida e, a bem da verdade, ele não foi feito para se ler em uma única sentada. Não, ele tem toda uma poesia, toda um calma e todo um cuidado com o luto, a dor e suas diversas manifestações e, por isso, tece cuidadosamente uma trama que nos faz lembrar do porquê de amarmos tanto a literatura jovem-adulto. Ainda assim, você inicia a leitura sem pretensão alguma e quando se dá conta já está lendo há várias e várias horas, sorrindo, chorando e sem conseguir parar de pensar na obra. É mais ou menos isso que acontece quando se lê o livro aqui resenhado, e é impossível, ao terminar a leitura, você ser o mesmo de quando a iniciou.

"Há vida por toda a parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não não sobrevivermos mais. Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita".

   Mais acima, eu comentei que Zentner consegue ser tão criativo quanto alguns dos expoentes da literatura jovem-adulto e, bem, eu não estava mentindo. O autor é um poeta e para inserir toda essa sensibilidade em sua obra, ele contou com a ajuda de Carver, um protagonista que, feito a imagem de seu criador, é um poetista muito talentoso. Resumindo: vocês não têm ideia da maestria com que a obra é narrada. Se ajuda na compreensão, é como ler uma grande poesia feita em prosa — nos momentos mais emotivos e profundos, parece que o personagem está conversando diretamente com o leitor, como se fosse um de nossos melhores amigos. Em entrevista exclusiva ao Sooda Blog, o autor norte-americano chegou, inclusive, a comentar sobre as razões que o levaram a criar uma obra tão poética como Dias de Despedida, afirmando que ama a poesia, as palavras e as frases musicais e que acredita que as palavras devem nos mudar e tocar nossos corações.
   Zentner foi genial ao desenvolver o livro e eu acredito fielmente que essa obra merece uma grande e sensível adaptação cinematográfica. Nas entrelinhas do young-adult, o autor deixa claro a importância de nos apegarmos a vida e valorizarmos cada momento ao lado das pessoas que amamos, pois, a bem da verdade, ninguém sabe ao certo o que o futuro reserva. Hoje podemos estar sorrindo pela presença de nossos amigos e, amanhã, chorando pela ausência deles. É exatamente quando o leitor compreende isso que a obra se torna algo mais especial — uma leitura que, nas palavras de Becky Albertalli, destrói, recompõe e definitivamente nos transforma. 
   O livro intercala presente e flashbacks com uma maestria incrível para um romance de estreia na literatura jovem-adulto e Jeff Zentner consegue convencer o leitor, da primeira à última página, de que sabe exatamente o que está fazendo, como está fazendo e para quê está fazendo — me tornei um admirador de sua escrita e mal posso esperar pelos futuros livros do autor. Meu desejo hoje, de todo o coração, é que mais e mais pessoas tenham contato com essa literatura que dialoga de forma sensível com todos aqueles que sofreram (e sofrem) com a dor da perda e prepara o coração daqueles que, mais cedo ou mais tarde, também verão os amigos, familiares ou os amores desaparecerem, apagando-se como o dia, rumo à escuridão.
   Para ser extremamente sincero, uma das melhores qualidades de Dias de Despedida — depois do caráter poético — é a originalidade. Muitos autores já trabalharam com a dor da perda, com a culpa, com o luto e com a tristeza, mas poucos fizeram um trabalho bem feito que focasse exclusivamente nisso. E isso comove. Isso sensibiliza. Isso despedaça o leitor. Isso ensina e acima de tudo nos transforma em pessoas com uma capacidade melhor de se colocar no lugar dos outros e nos permite compreender melhor a dor daqueles que estão ao nosso redor.

"Este dia aguçou tudo o que eu vinha sentindo nas últimas semanas. A Culpa. O luto. O medo. Afiou esses sentimentos até ficarem cortantes e ardentes. Mas, por outro lado, tirou um pouco daquela pontada e a substituiu por uma sensação pesada de ausência. Enquanto o luto é um sentimento mais ativo - um processo de negociação -, a ausência parece o luto com uma dose de aceitação."


Quando foi publicado, a tiragem inicial de 30 mil exemplares de Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei esgotou em uma semana. Ao mesmo tempo, sua publicação em outros países já era negociada — este livro chegou a ser lançado em mais de quarenta idiomas. Um sucesso inimaginável mesmo considerando que, naquela época, Paulo Coelho já era o nosso autor mais lido internacionalmente. Agora, em nova edição, o livro chega mais uma vez ao Brasil pela editora Paralela. Confiram a capa e a sinopse:

Sinopse: Esta obra narra a história de dois amigos que se separam e voltam a se encontrar onze anos depois. Durante todo esse tempo, muita coisa mudou. Pilar se tornou uma mulher forte e independente e ele se tornou um líder espiritual extremamente carismático, capaz de influenciar multidões.O que para Pilar, a princípio, seria um rápido encontro, se transforma em um novo relacionamento que vai fazer que ambos tenham que enfrentar seus próprios obstáculos interiores. Em um romance que fala de entrega, dor, sofrimento, perdão e esperança, Paulo Coelho nos mostra que o amor é a melhor forma de trilharmos o nosso caminho.


Livro: Crônica do Pássaro de Corda
Título Original: Nejimakidori Kuronikuru
Autor: Haruki Murakami
Editora: Alfaguara
Páginas: 767
ISBN: 978-85-5652-056-2
Sinopse: Toru Okada é um jovem casado, sem filhos, que leva uma vida banal em Tóquio. Quando seu gato desaparece, ele vê seu cotidiano se transformar. A partir disso, personagens cada vez mais estranhos começam a aparecer ao seu redor, transformando a realidade em algo digno de sonho. Com seus fantasmas invadindo o mundo real, Toru é obrigado a enfrentar os problemas que carregou consigo por toda a vida. Conjugando os elementos mais marcantes da obra de Haruki Murakami, Crônica do pássaro de corda fala sobre a efemeridade do amor, a maldade que permeia a sociedade moderna e o legado violento que o Japão trouxe de suas guerras. Cativante, profético, cômico e impressionante, é um tour de force sem paralelos na literatura atual.

Haruki Murakami nasceu em Kyoto, no Japão, em janeiro de 1949. É considerado um dos autores mais importantes da atual literatura japonesa. Escreveu seu primeiro romance – Ouça a canção do vento – em 1979, mas foi em 1987 que seu nome se tornaria famoso no Japão, com o lançamento de Norwegian Wood. Sua obra foi traduzida para 42 idiomas e recebeu importantes prêmios, como o Yomiuri e o Franz Kafka. O escritor vive atualmente nas proximidades de Tóquio, e além de escritor, é aficionado por esportes de resistência. Esta é a primeira versão brasileira de Crônica do Pássaro de Corda, lançado com exclusividade pela Alfaguara.

    A vida de Toru Okada não poderia ser mais simples. Desempregado há algum tempo, ele passa o dia inteiro cuidando dos serviços domésticos (o que para ele não é problema algum) enquanto sua esposa, Kumiko, trabalha numa revista. Logo no início, descobrimos que o gato de estimação do casal, Noboru Wataya (que tem o mesmo nome que o irmão mais velho de Kumiko), está desaparecido. Todos os dias, Toru sai para procurá-lo, atendendo aos pedidos de sua esposa. Eles vivem num bairro simples, onde os fundos da casa se abrem para um corredor comprido e estreito, que dá no quintal das casas vizinhas. Toru procura o gato pelo corredor, pois ele gostava de caminhar por lá. O sumiço de gato é apenas o gatilho para que diversas coisas estranhas comecem a acontecer na vida pacata de Toru.
    Numa dessas idas ao corredor em busca do gato, ele conhece May Kasahara, uma garota de dezesseis anos que mora em frente à casa mal-assombrada da região – era considerada de mau agouro porque todas as pessoas que moraram ali cometeram suicídio. Toru desenvolveu certo fascínio pela casa, especialmente pela estátua do pássaro de corda no quintal (uma espécie de pássaro que havia pelo bairro, e sempre cantava prendendo a atenção de Toru, embora ele nunca o tenha visto) e pelo poço sem água que ficava nos fundos. May passou a fazer companhia a Toru sempre que ele estava lá, assim desenvolveram uma amizade inusitada. Além da aparição de May, Toru também passou a receber ligações de uma mulher misteriosa que lhe falava coisas obscenas ao telefone e dizia conhecê-lo bem, assim como ele a conhecia – embora Toru tivesse certeza que não.
    Outros acontecimentos começam a fazer parte de sua rotina: Kumiko chegando tarde em casa, duas irmãs misteriosas com nomes estranhos (Malta e Creta Kanô) que aparecem com o objetivo de ajudá-lo a achar o gato, o encontro inesperado com um veterano de guerra, o Tenente Mamiya, e o lançamento à carreira política de seu cunhado, a mais recente celebridade do mundo dos negócios, Noboru Wataya. Aos poucos, realidade e fantasia começam a se misturar e Toru precisa ligar os pontos dessa história se quiser descobrir qual o sentido de tudo isso, além de encontrar o caminho para consertar as loucuras que se acumularam em sua vida.

"Todas as pessoas acham que um gigantesco, complexo e incrível mecanismo movimenta o mundo, mas estão enganadas. Na verdade, é o pássaro de corda que sobrevoa os quatro cantos, dá um pouquinho de corda em cada lugar, girando a pequena chave, e movimenta o mundo. O mecanismo é bem simples, como o de um brinquedo que dá corda. Basta girar a chave, mas só o pássaro de corda pode fazer isso" (p. 367).


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:



"Mas, simplesmente, não havia substituto para a perda de um homem que era o companheiro da minha alma, meu melhor amor, meu amante, a única coisa em que eu confiava num mundo nada confiável".
— Melancia (Marian Keyes).


"Rousseau disse que o homem nasce bom, e a sociedade o corrompe. Mas essa ideia precisa de reparos: para mim, o homem nasce neutro e o sistema social educa ou realça seus instintos, liberta seus psiquismo ou o aprisiona. E normalmente o aprisiona".
— O Vendedor de Sonhos (Augusto Cury).


Claro que eu vou te machucar. Claro que você vai me machucar. É claro que vamos machucar uns aos outros. Mas esta é a própria condição de existência. Para se tornar primavera, significa aceitar o risco de inverno. Para tornar-se presença, significa aceitar o risco de ausência.
— O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)


Nosso queridinho John Green, autor de A Culpa é das Estrelas, esteve de volta com mais um livro para nos deixar sem chão! Agora, o autor nos presenteia com uma heroína que precisa enfrentar uma batalha contra os próprios pensamentos. Tartarugas Até lá Embaixo começa com uma investigação sobre o sumiço de um bilionário, mas na verdade nos apresenta uma história tocante de um forte laço de amizade capaz de durar a vida toda e da coragem de uma garota para enfrentar sua maior fragilidade: ela mesma.

Depois que John Green divulgou em seu perfil no Twitter uma playlist inspirada no livro, a gente se animou por aqui e criou uma para você ouvir durante a sua leitura! Esperamos que essas músicas aproximem vocês dessa personagem tão peculiar e apaixonante. Ouça agora: 


Em Tartarugas Até Lá Embaixolivro que vai tratar de inúmeros temas recorrentes e esbanjar reflexões, Green narra uma história sobre uma adolescente com TOC ao mesmo tempo comovente e divertida, sobre encontrar as forças necessárias para lidar com as adversidades mentais e sobre como algumas pequenas situações têm grandes influências em nossas vidas


De Emily Trunko, adolescente de 16 anos, seguida por milhares de pessoas, Cartas Secretas Jamais Enviadas é uma coletânea de cartas que reúne segredos, confissões, alegrias e dores que nunca chegaram a seus destinatários. Confiram a capa e a sinopse:

Sinopse: Você já desejou poder voltar no tempo e dar conselhos para si mesmo? Já quis ter coragem de falar como é forte o amor que sente por alguém? Alguma vez já se perguntou por que uma pessoa importante na sua vida parou de falar com você?A partir de contribuições anônimas, Emily Trunko reuniu nesta coletânea cartas que revelam segredos profundos de quem as escreveu. Afinal, muitas vezes o único jeito de lidar com nossos sentimentos mais intensos — seja um amor incondicional ou uma perda irreparável — é botando tudo no papel. A leitura destas cartas nos permite mergulhar na vida de seus remetentes e, ao mesmo tempo, redescobrir nossa própria história e perceber que, mesmo nos piores momentos, não estamos sozinhos.


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:



"As coisas que fazemos sobrevivem a nós. São como os monumentos que as pessoas erguem e em honra dos heróis depois que eles morrem. Como as pirâmides que os egípcios construíam para homenagear os faraós. Só que, em vez de pedra, são feitas das lembranças que as pessoas têm de você. Por isso nossos feitos são nossos monumentos. Construídos com memórias em vez de pedra."
— Extraordinário (R. J. Palacio)


"Se você olhar para o centro do universo, existe frieza lá. Um vazio. No final das contas, o universo não se importa conosco. O tempo não se importa conosco. É por este motivo que temos que cuidar um do outro".
— Todo Dia (David Levithan)


"Longe de perder o sentido, o que você faz nesta vida subitamente torna-se incrivelmente importante, já que você só tem essa única possibilidade de fazer a coisa certa, de mudar alguma coisa, de contribuir de alguma forma para aqueles que você ama ou que seguirão seus passos".
— O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams)


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