Há certo consenso entre leitores de ficção sobre os personagens secundários: às vezes eles são melhores que os protagonistas. Isso também vale para os casais. Se você, assim como eu, costuma torcer mais para os casais secundários do que para os protagonistas, então venha ver essa listinha e verifique se concordamos nesses shipps.

1. SIMON LEWIS E ISABELLE LIGHTWOOD (OS INSTRUMENTOS MORTAIS)
Simon e Izzy (ou Sizzy) foram bem improváveis no início, e pensei muitas vezes que o romance entre eles estava meio forçado. Mas com o passar dos livros – em especial a partir do quarto livro, Cidade dos Anjos Caídos, quando o personagem de Simon amadurece mais e podemos perceber que ele desencanou de vez da Claire, sua melhor amiga – eles foram me conquistando à medida que desenvolviam um romance mais leve e que soava cada vez mais natural. Com certeza passei a torcer mais por eles do que para Claire e Jace, os protagonistas.

2. MAGNUS BANE E ALEC LIGHTWOOD (OS INSTRUMENTOS MORTAIS)
Continuando na série Os instrumentos mortais, outro casal que foi me prendendo a cada livro foi Magnus e Alec (ou Malec). A química imediata dos dois no primeiro livro logo me conquistou e passei o resto da série torcendo para que os dois se entendessem e para que Alec deixasse de lado suas angústias e ficasse com Magnus. Mesmo sendo muito diferentes, os dois parecem se completar e isso fez com que se tornassem o casal queridinho dos fãs – não apenas nos livros, mas também na série de TV, Shadowhunters.


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:



“Quero acordar com você todas as manhãs e adormecer ao seu lado todas as noites. Quero protegê-la, amá-la e cuidar de você de um jeito que nenhum outro homem jamais poderia. Quero mimá-la... Cada beijo, cada toque, cada pensamento meu, tudo isso lhe pertence. Vou fazê-la feliz. Todos os dias [...]. Você pôs fim ao meu sofrimento. E me deu uma nova eternidade. Seja minha, Nora. Seja meu tudo”.
— Finale (Becca Fitzpatrick).



“A vida de ninguém é repleta de momentos perfeitos. E se fosse, não seriam momentos perfeitos. Seriam apenas normais. Como você conheceria a felicidade se não passasse pelas fases tristes?”.
— P.S.: Eu te amo (Cecelia Ahern).


"Os livros são o melhor exemplo de namorado: deixe-os de lado e eles esperarão para sempre; dê-lhes atenção e sempre retribuirão seu amor."
— O Teorema Katherine (John Green).


Livro: A Princesa Escondida 
Autor(a): Laura Machado 
Editora: Novo Século 
Páginas: 416
ISBN: 978-85-428-1006-6
Sinopse: À primeira vista, Elisa Pariseau é uma garota normal. Como todos os jovens de Parforce, ela vai para uma Escola Preparatória, estilo internato, antes de ir para a universidade. Só uma coisa a separa dos outros: ela é uma princesa e a terceira na linha de sucessão do trono. Único detalhe? Ninguém pode saber! Não que ela se importe, já que, na sua cabeça, há problemas maiores. Ela já não gosta mais de sua melhor amiga, está se interessando pelo cara mais popular da escola e é um alvo fácil para um blog de fofocas. Mas talvez o mais complicado seja entender o que se passa entre ela e seu grande amigo de infância, agora seu guarda pessoal. Além disso, Elisa é inscrita, contra sua vontade, em uma competição da escola. No meio de tanta confusão, quem tem tempo para se preocupar em esconder sua identidade? É um ano tumultuado na escola e ainda mais em seu coração. Altas emoções e grandes decisões. Descubra o que mais o destino guarda para ela ao ler as páginas emocionantes de seu diário.

Laura Vieira Machado nasceu em Minas Gerais, em 1991. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Fala cinco línguas e, quando tinha vinte anos, foi morar na Europa durante dez meses, alternando entre Alemanha, França e Espanha, aproveitando para visitar vários outros países e colecionar memórias inesquecíveis. Na Inglaterra, fez questão de conhecer a casa onde morou Jane Austen, uma de suas autoras preferidas. É mais viciada em café do que do Elisa Pariseau. Assiste a muitas séries e não conseguiria viver sem música. É apaixonada por livros românticos e intensos. Escreve o que lhe dá vontade de ler. 

   Entre todas as coisas que marcaram a minha vida, tem uma frase de meu pai que parece me seguir aonde eu vou. Conheça a si mesma. Posso vê-lo sentado atrás da sua mesa no escritório, pilhas de documentos á sua frente, um monte de coisas a serem resolvidas à nossa volta, e seus olhos em mim. Conheça a si mesma, Elisa. Entenda suas fraquezas, seus desejos, e ninguém nunca poderá usá-los contra você. Talvez seja exatamente por isso que eu comecei a escrever um diário. Pensar dento da própria cabeça todo mundo faz. Todos os manipulados têm cérebro teoricamente pensantes. Eu queria ir além, queria entender o que me move, onde quero chegar, quem eu sou e o porque de minhas ações. Ainda me lembro de guardar as palavras de meu pai, que devem ter sido faladas pela primeira vez quando ainda tinha meus dez anos de idade. Eu as escrevi em tudo que tinha, as memorizava, repetia durante dias. Conheça a si mesma.  
   Elisa está vivendo como uma pessoa normal, ela estuda em uma Escola Preparatória e no final de semana vai para o castelo e participa das festas da realeza como parente do rei e da rainha. Mas tudo isso é uma farsa, Elisa é a princesa que todos querem conhecer assim que ela completar dezoito anos. Desde criança seus pais escondem sua identidade e depois que ela cresceu vive como outra pessoa para cumprir a promessa deles. Quando ela nasceu seus pais decidiram que ela teria uma vida normal e longe das responsabilidades que cabem a uma princesa. Porque tudo isso? Elisa é a terceira herdeira, então está bem longe de subir ao trono, por isso seus pais decidiram que ela teria uma vida tranquila e quando completasse a maior idade seria apresentada como princesa de Parforce. Ela vai nos contar tudo sobre sua vida numa especie de diário.


"Uma decisão tomada é uma decisão levada até o fim."


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:

“Para cada herói, mil covardes. Para cada morte honrosa, mil sem sentido".
— A Espada do Verão (Rick Riordan).



“Somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas”.
— As Vantagens de Ser Invisível (Stephen Chbosky).


"Sabia que, na primeira vez que olhei você, o que eu pensei foi: nunca na vida vi nada mais lindo e cativante? [...] Eu vi você, e queria estar perto de você. Queria que deixasse eu me aproximar. Queria conhecer você melhor do que todo mundo. Queria você, por inteiro. E todo esse desejo quase me deixou maluco. E agora que tenho você, a única coisa que me assusta é voltar a não tê-la. Ter de querer você outra vez, sem nenhuma esperança de que meu desejo seja atendido. Você é minha, Anjo. Cada pedacinho de você. Não vou deixar que nada mude isso."
— Finale (Becca Fitzpatrick).


Livro: Amor & Gelato 
Título Original: Love & Gelato 
Autor(a): Jenna Evans Welch
Editora: Intrínseca 
Páginas: 320
ISBN: 978-85-510-0234-6
Sinopse: Depois da morte da mãe, Lina fica com a missão de realizar um último pedido: ir até a Itália para conhecer o pai. Do dia para a noite, ela se vê na famosa paisagem da Toscana, morando em uma casa localizada no mesmo terreno de um cemitério memorial de soldados americanos da Segunda Guerra Mundial, com um homem que nunca tinha ouvido falar. Apesar das belezas arquitetônicas, da história da cidade e das comidas maravilhosas, o que Lina mais quer é ir embora correndo dali. Mas as coisas começam a mudar quando ela recebe um antigo diário da mãe. Nele, a menina embarca em uma misteriosa história de amor, que pode explicar suas próprias origens. No meio desse turbilhão de emoções, Lina ainda conhece Ren e Thomas, dois meninos lindos que vão mexer ainda mais com seu coração. Uma trajetória que fará Lina descobrir o amor, a si mesma e também aprender a lidar com a perda. Amor & Gelato é uma deliciosa viagem pelos mais românticos pontos turísticos italianos, com direito a tudo de mais intenso que o lugar tem a oferecer: desde paixões até corações partidos.

  Jenna Evans Welch passou parte da adolescência em Florença, onde passeava de scooter, dançava em chafarizes e tomava mais gelato do que deveria. Hoje mora em Salt Lake City, nos Estados Unidos, com o marido e o filho. 

   Lina é uma jovem muito dedicada que acaba de perder a mãe por causa de um câncer no pâncreas. Ela ainda está muito triste, mas antes de sua mãe morrer Lina prometeu que passaria o verão em Florença para conhecer seu pai — que ela nem sabia que existia. Assim que chega em Florença, um homem alto e com características bem diferentes dela vai buscá-la no aeroporto. Lina não está nada contente com essa viagem, até que chega na casa de seu pai. Ele é zelador de um cemitério, e Lina tem vontade de sair correndo de volta para sua casa, mas não tem outra saída. O verão na Toscana já começa com o pé esquerdo.
   Seu maior passa tempo — já que a internet não funciona — é correr nos arredores do cemitério. Ela não está preparada para ter uma conversa franca com seu pai sobre o passado e por isso acorda bem cedo pra correr e pensar nas coisas que sua mãe contou antes de morrer. Em uma dessas corridas ela vê um garoto italiano com uma bola de futebol e quando ela percebe eles já estão conversando. Ren se mostra super prestativo e leva Lina para conhecer vários lugares em Florença, além de apresentar ela para vários de seus amigos. Logo Lina se vê gostando da Itália e de seus novos amigos. Ela recebe um diário que sua mãe mandou para o cemitério e logo começa a ler, mas ela não esperava encontrar segredos. Nas primeiras páginas, Lina percebe que um mistério que envolve sua vida está escondido dentro das paginas daquele diário. Nossa protagonista decide que vai encontrar respostas e junto com Ren — seu fiel amigo —, vai viver uma aventura em busca de respostas, sendo que Amor & Gelato é um livro fofo com uma mensagem muito bonita sobre amor, amizade e recomeço. 


"Quando uma pessoa desiste de um relacionamento, não há nada que você possa fazer para segura-lá."



Olá, leitores! A coluna Memória Musical de hoje é voltada para o livro de ficção científica O Livro do Juízo Final, de Connie Willis (aqui você pode ir direto para a resenha!) . Confiram as músicas selecionadas que se encaixam com a história do livro:


1 - DEPOIS DE NÓS, ENGENHEIROS DO HAWAII.
Essa é uma música perfeita para combinar com viagens no tempo. Quando Kivrin, a protagonista, viaja para o futuro, faz muitas reflexões sobre o novo rumo que está criando no passado, o paradoxo. Ela está cercada de pessoas que, no século de onde veio, já estão mortas. É então que percebe a preciosidade do tempo que passa com elas. O livro, como um todo, acaba trazendo inúmeros pensamentos sobre atemporalidade: o tempo passa, mas há algumas coisas que permanecem iguais (costumes, superstições, maneiras de pensar), e a música de Engenheiros do Hawaii traz esse clima de uma viagem ao passado que é deixada para trás. Além disso, beira temas religiosos, e, como cito na resenha da obra, a religião é um dos assuntos mais presentes na narrativa.


Olá, leitores. Estão acompanhando os especiais sobre Tartarugas Até Lá Embaixo? Esperamos que sim. No dia de hoje, como de costume, traremos para vocês os melhores e mais especiais quotes do livro, que nos leva a refletir sobre o TOC, sobre os adultos e sobre a importância da resiliência.



“A maior parte dos adultos é simplesmente vazia. Vemos adultos tentando preencher o vazio com bebida, dinheiro, Deus, fama ou com o que quer que idolatrem, e tudo isso faz com que apodreçam por dentro, até não sobrar nada além do dinheiro, da bebida ou do Deus que eles acharam que era a salvação”.

“Davis e eu não conversávamos muito, sequer nos olhávamos muito, mas isso não importava, porque estávamos observando juntos o mesmo céu, o que, para mim, talvez seja mais íntimo do que contato visual. Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu”.

“A gente finge ser o autor, caro. Não tem outro jeito. Quando as entidades superiores fazem tocar aquele sinal monótono exatamente às 12h37, você pensa: Agora eu decido ir almoçar, mas na verdade é o sinal que decide. A gente acha que é o pintor, mas é a tela”.

“— E as autoridades nas prisões são pessoas com sede de poder e corruptas, exatamente como os professores”.

“— Eu não me incomodo — falei. — Quem vê o mundo como ele realmente é se preocupa. A vida é preocupante mesmo”.

“Acho que isso é um até logo, mas é como dizem: ninguém nunca diz até logo a menos que queira ver a pessoa novamente”.

“E a questão é que, quando a gente perde alguém, a gente se dá conta de que no fim vai perder todo mundo”.

“Os adultos pensam que sabem controlar o poder, mas na realidade é o poder que acaba controlando os adultos”.

“Toda perda é única. Não dá para saber como é a dor de outra pessoa, da mesma forma que tocar o corpo de alguém não é o mesmo que viver naquele corpo”.

“Malik ficava muito animado ao falar sobre o assunto, os olhos brilhando, demonstrando um amor sincero por seu trabalho. Não era fácil encontrar adultos assim”.

“— O problema dos finais felizes é que ou não são realmente felizes, ou não são realmente finais, sabe? Na vida real, algumas coisas melhoram e outras pioram. E aí a gente morre”.

“A gente escolhe os nossos finais e os nossos começos. Podemos escolher a moldura, sabe? A gente pode até não decidir o que aparece na foto, mas a moldura é a gente que decide”.


“A gente ouve muito falar sobre as vantagens da insanidade — a própria dra. Singh citou para mim uma frase de Edgar Allan Poe que dizia: A ciência ainda não nos provou se a loucura é ou não o mais sublime da inteligência”.

   Durante toda essa semana, falaremos sobre Tartarugas Até Lá Embaixo. Se você perdeu a resenha, confira clicando aqui. No dia de hoje, apresento para vocês um pouquinho acerca dos personagens desse livro que vem recebendo inúmeras críticas positivas tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
   Como dito na resenha, John Green, no intuito de compor da melhor forma possível seu mais recente sucesso, criou personagens que parecem tão reais quanto nossos melhores amigos — talvez até mais. Como de costume, é uma composição que, ao estilo numerador de fatos do autor, chama atenção por (1) ser simples e (2) por trazer uma protagonista que comove e nos diverte ao mesmo tempo, deixando marcas boas e profundas em nossa mente.
   De modo geral, Tartarugas Até Lá Embaixo foca na protagonista. É um livro narrado por Aza Holmes e, por isso, é um livro sobre Aza Holmes — mais especificamente um livro sobre como algumas pequenas situações possuem grandes “forças inidentificáveis” de mudar nosso destino, onde a adolescente ata duas pontas de sua vida. Partindo do momento em que o mistério do milionário desaparecido ganha espaço ao desfecho desse enigma que acaba mudando sua história.
   Eu gosto de muitas características nas obras de Green, talvez por isso eu não seja uma fonte tão confiável de “opiniões sobre John Green”, mas, sem dúvidas, seus personagens são marcantes. Todos eles, até mesmo os secundários — e principalmente os secundários. Daisy, por exemplo, que é a melhor amiga de Aza, é indescritível. Como Ben de Cidades de Papel, ela é extremamente bem-humorada e torna o livro muito, mas muito interessante. Daisy é a personificação da aventura, do humor e daquela parcela de ego que existe dentro de todos nós. 
   A impressão que eu tenho é que John distribui valores e qualidades (boas e ruins) entre seus personagens, e cada um deles tem algo de bom a nos ensinar. Fora Daisy, também ganham espaço (um breve espaço, ressalto) a mãe de Aza e sua médica, a dra. Singh, que sempre tem uma excelente frase de Edgar Allan Poe, de Shakespeare, de Bronte e outros, para citar para seus pacientes.

Bem, para sintetizar: Tartarugas Até Lá Embaixo possui poucos personagens, mas cada um deles acaba nos ganhando a seu modo. Meu desejo, como já sabem, é que todos deem uma chance a essa obra — é única, viu? Espero vocês no post de amanhã!


Livro: Tartarugas Até Lá Embaixo
Título Original: Turtles All The Way Down
Autor(a): John Green 
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
ISBN: 978-85-510-0200-1
Sinopse: Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo. A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido - quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro - enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).Repleto de referências da vida do autor - entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância -, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e - por que não? - peculiares répteis neozelandeses.

John Green é um dos escritores norte-americanos mais queridos pelo público jovem e igualmente festejado pela crítica. É autor best-seller do The New York Times, premiado com a Printz Medal, o Printz Honor da American Library Association e o Edgar Award e foi duas vezes finalista do prêmio literário do LA Times.

   Quando Aza Holmes se deu conta pela primeira vez de que talvez fosse fictícia, seus dias úteis estavam sendo passados numa escola na região norte da cidade de Indianápolis, chamada White River High School, onde forças maiores que ela — tão maiores que ela nem saberia por onde começar a identificá-las — delimitavam seu almoço a um intervalo de tempo determinado. Não obstante, o dia em que Aza se deu conta disso pode ter sido um dos mais importantes de sua vida. Se as forças tivessem optado por um horário diferente, ou se Mychal e Daisy que ajudaram a escrever seu destino houvessem escolhido um assunto diferente para conversar naquele dia de setembro, sua história teria tido um fim diferente — ou ao menos um meio diferente.
   Naquele dia em especial, Daisy resolveu conversar justamente sobre o desaparecimento do pai de Davis Pickett, o garoto que Aza conheceu certa vez num acampamento de férias. A polícia oferecia cem mil dólares a quem ajudasse a encontrá-lo. E Daisy acreditava fielmente que Aza poderia fornecer as tão preciosas pistas — principalmente porque a garota conhecia o filho dele. Não tão bem, mas pelo menos conhecia. Assim, mesmo com os transtornos obsessivos-compulsivos cada vez mais fortes e incômodos de Aza, ela embarca com Daisy atrás do único contato que têm em comum com o magnata desaparecido: seu filho.
   Conforme Aza se aventura com Daisy e descobre mais sobre si mesma e seus limites, passamos a conhecer brevemente a vida do misterioso poeta Davis Pickett, um garoto com estilo e atitude, que apesar de não circular entre todos os grupos, é popular entre os colegas. Mas Davis guarda segredos, sentimentos e não estará pronto para um relacionamento enquanto não tiver curado suas próprias cicatrizes. Do meio para o fim, o livro aqui resenhado representa um copo de água depois de anos de muita sede, sendo que mais do que uma história sobre o amor entre duas pessoas, sobre o poder da amizade duradoura e sobre a resiliência, Tartarugas Até Lá Embaixo é a história sobre Aza Holmes, a garota que acredita que a vida é uma história que contam sobre nós, não uma história que escolhemos contar.

   John Green é incrível — e me intriga como existem pessoas que não consegue notar isso! A bem da verdade, resenho esse livro com muita emoção e com muita felicidade. Tartarugas Até Lá Embaixo é uma história muito especial, sobre verdades que existem dentro de cada um de nós e que, cotidianamente, são mascaradas por nossos próprios, e muitas vezes forçados, transtornos. É uma leitura que representa libertação — uma consulta com um terapeuta chamado verdade que conta com a ajuda de uma psicóloga chamada vida. Durante toda essa semana, vocês terão contato com muitas informações sobre esse livro, sendo que esta resenha integra o primeiro post da Semana Especial sobre Tartarugas Até Lá Embaixo, realizada pela Editora Intrínseca e seus parceiros.
   Não consigo descrever a minha sensação ao ler o novo e tão aguardado livro do John! Ele é um autor que mostrou para que veio. Ele não quer simplesmente escrever — principalmente, escrever qualquer coisa. Não deseja apenas vender suas preciosas obras. Não quer apenas tratar de temas muitas vezes intratáveis, com uma história de romance e resiliência. É muito mais do que isso. É sobre tão mais do que isso que me faltam palavras. Na mais básica explicação, John quer tocar, de modo que as palavras faltem e os sentimentos transbordem
   Mergulhei de cabeça em Tartarugas Até Lá Embaixo da mesma forma como fiz com todos os demais e tão especiais livros de Green — e, a bem da verdade, nem sei qual deles eu gosto mais. A literatura jovem-adulto sempre me agradou bastante, não por questões de faixa etária, mas pelo conteúdo profundo que geralmente traz. Você inicia a leitura sem pretensão alguma — porque ela própria não parece ter intenções — e quando se dá conta já está lendo há várias e várias horas, sorrindo, chorando e sem conseguir parar de pensar na obra. É mais ou menos isso que acontece quando se lê Tartarugas Até Lá Embaixo, e é impossível, ao terminar a leitura, você ser o mesmo de quando iniciou. 
   Da mesma forma que acontece em seus livros anteriores, a narração é em primeira pessoa, o que nos permite ter uma visão focada na protagonista e em suas ações, escolhas e sentimentos — o que contribui de forma positiva para o dinamismo que envolve a obra da primeira à última página. Nos momentos mais emotivos e profundos, parece que Aza e seus monólogos interiores são direcionados diretamente para nós, leitores. A escrita de Green continua poética, sensível e dá espaço aos monólogos muito bem-criados e deixa os diálogos com a responsabilidade de conduzir o humor que se tornou marca registrada desde Cidades de Papel e O Teorema Katherine

“A maior parte dos adultos é simplesmente vazia. Vemos adultos tentando preencher o vazio com bebida, dinheiro, Deus, fama ou com o que quer que idolatrem, e tudo isso faz com que apodreçam por dentro, até não sobrar nada além do dinheiro, da bebida ou do Deus que eles acharam que era a salvação”.




Livro: O Livro do Juízo Final
Título original: Doomsday book
Autor(a): Connie Willis 
Editora: Suma de Letras 
Páginas: 573
ISBN: 978-85-5651-038-9
Sinopse: Em meados do século XXI, a jovem estudante Krivin Engle se prepara para viajar no tempo. Ela pretende fazer um estudo de campo sobre uma das épocas mais sombrias da história da humanidade: a Idade Média. Em um primeiro momento, tudo parece ter corrido bem com a empreitada, e ela finalmente está no século XIV. O que Kivrin não sabe é que o técnico responsável pelo seu salto temporal de volta para 2054 está terrivelmente doente. Seu retorno pode estar comprometido, e isso pode afetar todos os habitantes do Reino Unido.




Constance Elaine Trimmer Willis, mais conhecida como Connie Willis, é uma escritora estadunidense de ficção científica – uma das mais prestigiadas do gênero entre os anos 1980 e 1990. Em 1983 ganhou dois Nebula Awards, um pela novela Fire Watch — que também ganhou um Hugo Awards meses mais tarde — e outro pelo conto A letter from the clearys. Em 1993, O livro do juízo final ganhou o Nebula e o Hugo. Todos esses prêmios fazem de Willis uma das escritoras mais homenageadas da ficção científica e a única pessoa a ser premiada com dois Nebulas e Hugos no mesmo ano. Atualmente reside com seu marido em Greeley, Colorado.

    Reino Unido, Inglaterra, Oxford 2054. Este é o cenário inicial da premiada história de Willis. Viagens no tempo já são uma realidade nessa época e a estudante da Universidade de Balliol, Kivrin Engle, que tem ânsias de um dia ser uma grande historiadora, alimenta o sonho de viajar para a Idade Média. Sua curiosidade a respeito desse tempo remoto é imenso e ela deseja descobrir se os dados que todos acreditam serem verdadeiros realmente o são. O setor responsável por esse tipo de viagem é Medieval, e a responsabilidade da Universidade está sob as ordens de Gilchrist, um homem que não mede escrúpulos para conseguir impressionar seu superior e mostrar que é tão capaz de assumir a diretoria quanto ele. 
   Porém, James Dunworthy, o tutor de Kivrin, fica muito preocupado com toda a situação. A viagem foi marcada às pressas, durante a gestão de Gilchrist, que não fez os testes adequados para uma viagem tão remota e perigosa. O ano em que Kivrin saltará é 1320, 28 anos antes de a Peste Negra tomar conta da Inglaterra. Mesmo assim, Dunworthy fica apreensivo, pois Kivrin é apenas uma estudante e pode não estar preparada para o que irá encontrar no passado (em uma época em que as mulheres eram constantemente abusadas e acusadas de bruxaria). Mesmo assim, ele não consegue persuadir Kivrin a esperar um pouco mais. Ao lado de sua amiga, a médica Mary — que garante que tomou todas as precauções para que Kivrin não fosse abatida por alguma doença do século XIV —, Dunworthy vê a menina, que considera quase como uma filha, desaparecer na rede que a levou até a Idade Média.
    A partir daí a história se divide em dois cenários: o século XIV e o XXI. Kivrin conseguiu realizar seu salto e finalmente está na Idade Média. Porém, perdida e confusa no meio da floresta, acaba adoecendo. Febre, dores de cabeça e cansaço a abatem. Até que enfim é resgatada e levada para uma casa senhorial onde não consegue compreender nada do que dizem e muito menos o que estão fazendo com ela. Já Dunworthy não consegue descansar enquanto não obtiver o fix de Kivrin, ou seja, o local, o dia e a hora exatas em que ela saltou. 
    O responsável por fazer a leitura do fix é Badri Chaudhuri, um dos técnicos mais conceituados do Balliol. Mas assim que consegue obter o fix, apresenta estranhos sintomas de uma doença que o deixa imediatamente incapaz de dizer ou fazer qualquer coisa coerente. Logo Badri é levado a um hospital e, sob os cuidados de Mary, descobre que a causa da sua doença é um vírus muito poderoso e o pior de tudo: não há registros de algo do tipo em outro lugar do mundo. Em pouco tempo, outros pacientes com os mesmos sintomas começam a aparecer e a cidade de Oxford entra em quarentena. Dunworthy fica desesperado, pois não sabe a localização exata de Kivrin e nem se a garota sequer conseguirá voltar.

    O que despertou minha curiosidade sobre O livro do juízo final foi justamente o gênero ficção científica, que é uma grande paixão minha, especialmente quando envolve viagens no tempo — algo que acredito que, em alguns anos, o ser humano dominará. Connie Willis é uma das autoras mais reconhecidas desse meio e ler logo de cara seu livro mais famoso e o primeiro da escritora a ser publicado no Brasil foi uma honra e tanto. Não foi exatamente o que eu esperava, mas com certeza me surpreendeu e me mostrou um outro lado dos romances que envolvem sci-fi.
    A narrativa é em terceira pessoa, a não ser pelos capítulos em que Kivrin detalha as coisas que vivencia no século XIV como forma de registro histórico de sua passagem por aquela época. Em um dispositivo instalado na mão, ela consegue gravar relatórios sobre seu dia-a-dia enquanto finge que está rezando com as mãos unidas próximas à boca. Quando ela assume a narrativa, a maior diferença é que a escrita assume o tom de relatório e a visão de Kivrin se torna mais clara para o leitor.
   A escrita de Willis é extremamente descritiva — porém não com detalhes do ambiente e dos personagens, e sim, com suas ações. Ela se demora em cada atitude que cada personagem toma, o que torna o desenrolar do enredo bastante cansativo em alguns momentos, como se a história andasse a passos lentos. O livro é dividido em três partes, como três livros. O primeiro foca nos primeiros passos de Kivrin na Idade Média e na saga de preocupações de Dunworthy. Já o segundo, as coisas se agravam com Badri, e o desespero, tanto num século como noutro, começam a se instalar quando eles avançam nas descobertas. Já o terceiro e último consegue captar a essência geral do livro e passar a mensagem central a respeito de amor e doação ao próximo — tudo isso cercado por detalhes científicos e ficcionais.

"Como Deus teria sido capaz de mandar Seu único filho, Seu precioso filho, para um perigo tão grande? A resposta é amor. Amor!
— Ou incompetência — murmurou Dunworthy. [...]
E depois que Ele deixou o filho ir, Ele se preocupou com isso em cada minuto, pensou Dunworthy. Imagino se ele terá tentado cancelar tudo" (p. 220).

    Willis passou cinco anos trabalhando nessa obra. Podemos perceber o quanto de pesquisa (em conjunto com grandes doses de imaginação) a autora precisou fazer para compôr esse conjunto de ideias. Muitas referências são utilizadas, a começar pelo próprio título. Kivrin chama seus relatórios de "Livro do juízo final" em homenagem a um registro homônimo, como um censo que contabilizou terras e seus senhores, datado de 1086 e executado por Guilherme I da Inglaterra. Os cristãos da época acreditavam que quando Jesus voltasse, ele contabilizaria os feitos de cada pessoa, assim como o censo fez com as terras — por isso o nome. Não apenas esse detalhe, mas muitas outras referências à realidade que se vê nos livros de história acerca da era medieval (como a função da Igreja Católica, leis e julgamentos, o funcionamento de uma casa senhorial e de um vilarejo, etc.) são minuciosamente trabalhados ao longo do livro. E por falar em Igreja, é possível observar uma forte presença da religiosidade, não apenas no século XIV como no XXI. Além disso, o debate sobre a presença de Deus na Terra é trabalhada em todas as etapas.
    Por ser uma trama que fala sobre o ano de 2054 escrita no final da década de 1980 e início dos anos 1990, O livro do juízo final parece, aos nossos olhos contemporâneos, muito antigo. Aparelhos celulares, laptops, tablets, entre outros dispositivos tecnológicos móveis, não são uma realidade na trama de Willis. Para nós, chegar ao ano de 2054 sem esse tipo de tecnologia parece inacreditável, mas é muito interessante ver sob a ótica de uma pessoa que viveu naquela época e não podia imaginar avanços simples como smartphones, mas conseguia deslumbrar viagens no tempo e seus detalhes técnicos com muita facilidade. Inclusive, uma das coisas que mais me chocou foi a dependência que os personagens tinham de seus telefones fixos — que em 2054 já exibiam a imagem de quem estava do outro lado da linha, mas não conseguia se desprender do fio.
    Os personagens conquistam facilmente. Kivrin, a protagonista — que só começa a se revelar como tal na segunda parte —, é o melhor tipo de mocinha: amável nos momentos certos, assim como esperta e corajosa, parecendo sempre pronta para enfrentar os maiores perigos (embora nem sempre esteja). Por muitos momentos fiquei me perguntando por que ela queria tanto estar na Idade Média, afinal, é uma época muito nociva — especialmente para mulheres. Mas mesmo passando por dificuldades, o encantamento de Kivrin em estar de fato no século XIV, realizando um sonho, é passado com muita realidade. Em certos pontos, dá até para entender o lado dela. Acima de tudo, Kivrin é sensível e demonstra o oposto do desprendimento que muitos dos cientistas da história têm — e nisso percebe-se que ela é tão humana quanto seu tutor. Ela está sempre pronta a ajudar e se importa de verdade com todos a sua volta, chegando a criar laços com os habitantes do vilarejo medieval em que se instala.
    Os secundários também são bem construídos. Dunworthy parece até assumir o protagonismo ao lado de Kivrin. Sua preocupação torna tensos todos os capítulos em que ele é o foco, fazendo com que o leitor compartilhe seus pensamentos e medos sobre Kivrin e sobre os problemas que desencadearam a doença de Badri. Um dos melhores personagens é, sem dúvida, Colin, o sobrinho-neto de Mary, que fica sob os cuidados de Dunworthy enquanto sua tia-avó trabalha no hospital. Apesar de pequeno, surpreende por ser tão independente e ter controle sobre as situações inacreditáveis em que se mete. Além disso, seus bordões são impagáveis — uma criança usar termos como "absolutamente necrótico", "cadavérico" e "apocalíptico", é no mínimo inusitado. E Agnes, a menininha que se torna a companheira de Kivrin no século XIV — o equivalente ao que Colin é para Dunworthy em 2054 — é outra prova que a inserção de personagens infantis nessa história foi certeira, pois seu gênio forte supera o de todos os outros.

"As lanternas lançavam seus raios nas facetas cristalinas dos flocos de neve, fazendo-os cintilar como joias, mas foram as estrelas que fizeram Kivrin prender a respiração, centenas de estrelas, milhares de estrelas, todas cintilando como diamantes do ar gelado. 'Está brilhando', disse Agnes, e Kivrin não entendeu se ela estava falando da neve ou do céu" (p. 315).


Olha, se tem uma autora que é ligada no 220 volts, essa autora é Carina Rissi. Seus recentes lançamentos nem sequer esfriaram e ela já divulgou a capa e a sinopse do quinto e penúltimo livro da série Perdida, seu maior sucesso. Confiram abaixo:

O quinto volume da série best-seller Perdida Valentina de Albuquerque descobriu muito cedo que não é nenhuma princesa encantada. Em vez de bailes e romance, tudo o que a jovem deseja é encontrar um jeito de viver com dignidade longe do pai e da madrasta, que tem como hobby fazer da vida dela um inferno. A oportunidade surge com uma proposta de casamento. Quase passando da idade de se casar, Valentina cogita aceitar. Seu coração não se alvoroça com o pretendente, mas ela não está à procura do amor. Seria um bom arranjo... se o capitão Leon Navas não cruzasse o seu caminho. O misterioso espanhol é mal-educado, irritante, atrevido — além de lindo —, e Valentina ficaria muito feliz se jamais voltasse a vê-lo. Mas o destino parece decidido a reuni-los, e, após um equívoco embaraçoso, ela está noiva de Leon, de quem pouco sabe, exceto que seu coração dispara toda vez que seus olhares se cruzam e que irritação não é o único sentimento que o capitão lhe desperta. Então Valentina sofre um terrível acidente. Assustada, porém disposta a provar que não foi um simples acaso, ela vai atrás do responsável. Entre suspeitas, disfarces, segredos e contratempos, a moça acaba sucumbindo à irresistível e devastadora paixão, sem se dar conta de que o perigo ainda está à espreita... Poderá uma garota nem um pouco encantada viver um conto de fadas e conseguir o seu final feliz?

Desencantada será publicado em 26 de Fevereiro de 2018. 


Olá, leitores! Bem-vindos a mais um post da coluna Quotes de Quarta, onde compartilhamos com vocês os melhores trechos dos livros que lemos. Espero que curtam os quotes de hoje:



“Datas só nos fazem perceber quão finitos nossos dias são, quão perto da morte ficamos a cada dia que passa”.
— Nossos Dias Infinitos (Claire Fuller).


“Porque uma grande história de amor não precisa ser sobre duas pessoas que passaram a vida inteira juntas”.
— A Química Que Há Entre Nós (Krystal Sutherland).


"A vida é muito curta para julgar. Não é a sua função dizer aos outros o que sentem ou quem são. Por que não dedicar todo esse tempo a si mesma? Não sei quem você é, mas posso garantir que tem algumas questões que poderia trabalhar. (...) Quanto aos outros, lembrem-se: alguém gosta de você. Grande, pequeno, alto, baixo, bonito, comum, simpático, tímido. Não deixei ninguém dizer o contrário, nem você mesmo. Principalmente você mesmo."
— Juntando os Pedaços (Jennifer Niven).


.