Livro: A Rainha de Tearling
Título Original: The Queen of Tearling
Autor (a): Erika Johansen
Editora: Suma de Letras
Páginas: 351
ISBN: 978-85-5651-028-0
Sinopse: Ao completar dezenove anos, a princesa Kelsea é levada da cabana isolada onde cresceu de volta à Fortaleza Tearling, para assumir seu lugar de direito no trono. Discreta e séria, uma leitora voraz, Kelsea em nada se parece com a falecida mãe, uma rainha fútil e vaidosa que, para salvar a própria pele, tomou uma decisão que afetou para sempre o destino de seu povo. Mas, apesar de inexperiente, Kelsea não está indefesa; em seu pescoço está a safira tear, uma joia de enorme poder; e ao seu redor estão os fiéis guerreiros da Guarda da Rainha, dispostos a arriscar a vida por ela. Kelsea precisará de todos eles para sobreviver os inimigos que querem derrubá-la – desde um grupo de assassinos profissionais à feiticeira mais poderosa do mundo. Magia, aventura, mistério e romance se combinam nesta saga épica em que uma jovem princesa precisa reivindicar seu trono e aprender a governar com firmeza, se quiser ter alguma chance de salvar seu reino e derrotar a Rainha Vermelha e seus aliados. 

TRILOGIA "TEARLING"
    1.  A Rainha de Tearling
    2.  The Invasion of the Tearling (A Invasão de Tearling em tradução livre)
    3.   The Fate of the Tearling (O Destino de Tearling em tradução livre)

Erika Johansen, de 35 anos, cresceu e mora na San Francisco Bay Area. Estudou na Swarthmore College, completou seu mestrado na Iowa Writer's Workshop e mais tarde se tornou advogada. Johansen decidiu começar a escrever quando viu Stephen King, seu escritor favorito, ganhar o National Book Award em 2003, até que em uma noite de 2007, ela sonho com o mundo de Tearling. Alguns dias depois, Erika assistiu a um discurso de Barack Obama que lhe deu inspiração para criar Kelsea, a heroína da série. A Rainha de Tearling é seu romance de estreia, o primeiro livro de uma trilogia. Os direitos de filmagem foram comprados pela Warner Bros, tendo Emma Watson escalada como a protagonista. A frente do projeto está David Heyman, produtor de filmes como Harry Potter e O Menino do Pijama Listrado.

    Kelsea Glynn é uma garota simplesmente comum. Porém tem seu diferencial: foi criada isolada do reino que nasceu para governar, Tearling. Além disso, nunca chegou a conhecer seus pais, o mais próximo que teve de uma família foram Carlin e Barty. Carlin sempre muito dura e rígida com as disciplinas aplicadas sobre Kelsea, mas dona de uma incrível biblioteca na qual Kelsea passava horas e horas. Já Barty era doce e amável, o responsável por ensinar Kelsea a caçar, montar a cavalo e até a lutar com uma adaga. O objetivo era prepará-la para ser uma boa rainha, aquela que precisava salvar Tearling das garras de seus inimigos
    A mãe de Kelsea, a antiga rainha, Elyssa, morreu envenenada (o culpado nunca revelado) e seu irmão, Thomas, tornou-se regente de Tearling enquanto a sobrinha não estava apta para governar — o que acabou sendo mais que conveniente para ele, que desfrutava de tudo o que a riqueza da Fortaleza poderia lhe oferecer e muito mais que isso. Ganancioso, Thomas permitiu que Tearling ficasse à mercê de Mortmesne, o reino da tão temida Rainha (e feiticeira) Vermelha. O desejo do regente era que as coisas permanecessem daquela forma: conforto e luxos para ele, sofrimento e miséria para o povo. Por isso, queria impedir de todas as formas que Kelsea assumisse seu lugar no trono. Mas apesar de todos os esforços, mesmo no último segundo na hora da coroação, nada conseguiu impedir que a legítima herdeira do trono, Kelsea Glynn, fosse coroada.
    Assim que põe os pés na cidade, Kelsea já começa a fazer uma série de mudanças. Dessa forma, conseguiu conquistar o apoio dos governados e desagradou muitos nobres. A partir de então tudo começa a ficar mais perigoso e torna-se difícil confiar em qualquer pessoa — mesmo nos fiéis guardas que sua mãe designou para buscá-la de seu exílio, escoltá-la até a Fortaleza e cuidar dela como se fosse a própria Elyssa (coisa que Kelsea está bem longe de ser). À medida que Kelsea vai conhecendo as entrelinhas do reino que agora governa, vê que há muito a ser feito e busca sempre se distanciar ao máximo do reinado fútil e egoísta da mãe que nunca conheceu. Em meio a tudo isso, a jovem rainha — a quem todos chamam de Rainha Verdadeira — conta com um misterioso e duvidoso aliado, o fora da lei Fetch, que não está apenas na mente, mas também no coração de Kelsea.

    Nunca tinha ouvido falar da trilogia Tearling. Apenas quando busquei saber mais sobre a história a partir da oferta da Cia das Letras foi que percebi o quanto esse livro poderia ser instigante. Muitos tratavam a série como uma "versão feminina das histórias de George R.R. Martin", o escritor de As Crônicas de Gelo e Fogo. Mas, avançando na leitura, percebi que essa comparação é um grande equívoco. Apesar de a história se passar em um cenário medieval, cheio de histórias de guerras, cavaleiros, foras da lei, reis/rainhas e seus tronos, o universo criado por Erika é bem diferente do de Martin.
   Para começar, algo que não fica muito definido durante a narrativa é o tempo em que o enredo se passa, mas logo fica claro que se trata de uma distopia (porém, não esperem nada do que tem nas comuns distopias contemporâneas, como Divergente ou Jogos Vorazes). O cenário é um mundo criado muitos anos depois do nosso, chamado de Novo Mundo, onde o grande visionário que faz a tão famosa Travessia, perde tudo o que leva de mais avançado em tecnologia durante um naufrágio, fazendo com que o Novo Mundo se torne "antigo" e crie sua própria civilização partindo do nada.
  O livro é narrado em terceira pessoa e seu foco principal é Kelsea. Porém, outros focos são trabalhados em torno de personagens secundários — especialmente daqueles que não têm nada a esconder, como a própria protagonista. A narrativa de Erika é muito detalhada e se torna arrastada em alguns momentos por descrever bem tudo o que se passa. Uma grande marca de sua escrita é a sensitividade com que trata cada um dos personagens, fazendo com que o leitor chegue a sentir praticamente a mesma sensação que eles — isso ajuda a criar uma proximidade maior com a história como um todo.

"— Você precisa dormir em algum momento.
— Na verdade, não. O mundo é um lugar perigoso demais para dormir" (p. 84).

    Uma das coisas que mais me chamou a atenção e impressionou na leitura foram os desmembramentos políticos, econômicos e sociais que Erika criou em torno da fictícia sociedade de Tearling — não só desta, mas também de seus arredores, como Mortmesne e Caden. A sensação é a de que todos esses reinos realmente existem ou existiram. Há todo um planejamento territorial, geográfico (com direito à descrição dos solos de cada região e fluxo dos rios). Erika praticamente está contando através deste livro de ficção, uma outra história da América, fazendo referências à "Nova Londres" e "Nova Europa". São pequenos detalhes que tornam uma fantasia mais real. Claro que não se pode esquecer da magia que todo o enredo contém: tanto a benevolente, que provém da própria rainha e sua linhagem — os colares com as safiras tear são a prova disso —, quanto a malevolente, vinda da Rainha Vermelha, aquela que tem mais de séculos de vida e continua  governar Mortmesne através de uma poderosa magia negra.
    Os personagens são o ponto alto da narrativa. Cada um deles tem sua particularidade e isso fez com que me conquistassem facilmente. Kelsea é a protagonista que muitos sonham em ver nos livros: a heroína corajosa, que tem inseguranças, mas enfrenta seus medos de cabeça erguida. Porém há uma particularidade nela que não se vê em muitas mocinhas por aí: Kelsea é descrita como "feia", com um rosto "comum", sem nada de atrativo além dos intensos olhos verdes. Além disso ela dá sinais claros de que foi bastante influenciada pela mescla da educação de Carlin e Barty. É uma leitora compulsiva, fruto das horas passadas na biblioteca de Carlin e também é cética com relação a crenças religiosas (mais uma herança da mesma). Mas a bondade e a compaixão que se tornam marcas de seu reinado, vieram do amável Barty.
    Os personagens secundários também são muito bem trabalhados. É impossível não sentir o coração bater mais forte com o imprevisível Fetch. Ou não querer dar uns soquinhos no impotente — e tão cheio de mistérios — Clava, cuja fidelidade é digna de admiração, tanto quanto seu manejo de clava (daí seu apelido). E ainda se derreter com o encantador e espetacular esgrimista Pen, que, em minha opinião, serviria mais como um príncipe encantado que como um guarda-costas. Mas eles não são só flores. Thorne, um dos personagens mais fortes e um inimigo perigoso de Kelsea, pode despertar muitos sentimentos raivosos. Da mesma forma ocorre com Thomas, o regente — só que de forma diferente, pois ele é apresentado apenas como um covarde, mas a medida que a história avança, percebe-se como chegou a ser o que é. Isso é um diferencial muito bacana da escrita de Erika: seus personagens são profundos, cheios de conflitos, vícios e motivações. E claro que não se pode esquecer da Rainha Vermelha — que espero que esteja mais presente nos próximos livros —, um rival quase perfeita para a rainha Kelsea.

"O futuro consistia apenas nos desastres do passado esperando para acontecerem novamente" (p. 158).

      Foi bom observar o quanto Erika trouxe um diferencial para a literatura fantástica — uma mistura de cenários: medieval e distópico. Mas não só isso, pois uma série de valores são embutidos em sua narrativa. A figura feminina, por exemplo, é bastante forte, não apenas em Kelsea, mas com a Rainha Vermelha, que, apesar de suas práticas suspeitas, não tolera assédios em sua Fortaleza, nem que as mulheres sejam menosprezadas de nenhuma forma. A única crítica negativa que tenho a fazer é quanto à escrita lenta da autora. De tão explicativa, nos momentos em que a ação deveria predominar, acaba minguando. Porém, não posso dizer que isso empobrece o livro — pelo contrário, o que temos é uma riqueza de detalhes.
    Esta edição ficou maravilhosa, especialmente a capa, superando mil vezes a original. Também tem um mapa do reino de Tearling e suas fronteiras com os países vizinhos, o que ajuda a situar o leitor. O trabalho em fazer com que Tealing seja "real" dentro desse universo é tão firme que a cada início de capítulo há uma citação e sua respectiva referência bibliográfica de obras fictícias acerca do reino. A revisão e tradução foram impecáveis. E não posso deixar de falar do belo colar (que representa aquele que Kelsea sempre usa no pescoço) que a Cia mandou junto com o livro e o marcador num embrulho muito fofo.
     A Rainha de Tearling tem em si de tudo um pouco que podemos esperar de uma fantasia contemporânea; posso dizer que era um desses que faltava nas prateleiras. Além de ser uma história envolvente, quebra muitos paradigmas e faz com que pensemos em todas as variáveis que um "Novo Mundo" implica. Kelsea não é apenas uma rainha ou uma garota de personalidade forte, mas sim uma forma de representar a garra que se tornou quase uma marca das protagonistas de distopias, e, ainda por cima, carrega em si o "peso" de não ser o tipo de símbolo feminino considerado atraente, o que só a torna ainda mais admirável. Porém, mais admirável é Erika Johansen por trazer uma trilogia capaz de encantar ainda mais esse vasto universo da literatura.

Primeiro parágrafo: "A rainha Glynn — Kelsea Raleigh Glynn, sétima rainha de Tearling. Também conhecida como: a Rainha Marcada. Criada por Carlin e Bartholemew (Barty, o Bondoso) Glynn. Mãe: rainha Elyssa Raleigh. Pai: desconhecido. Ver apêndice XI para especulações".
Melhor Quote: "Até mesmo um livro pode ser perigoso nas mãos erradas, e quando isso acontece você culpa quem o segura, mas também lê o livro".


      


5 Comentários

  1. Amo esse universo medieval, já amei o livro, quero muito ler ele!
    http://souadultaagora.blogspot.com.br/

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  2. Gostei de conhecer essa trilogia, nunca havia escutado falar. Vou deixar anotado e colocar na fila dos livros que quero ler! É o tipo de história que gosto! Beijos :*

    http://ocantinhodanati.blogspot.com.br

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  3. Amo quando os livros trazem personagens femininas fortes, mas esse livro em específico não me atraiu. Adoro distopia, mas de medieval eu procuro fugir sempre que possível rs talvez seja um preconceito bobo, mas não consigo me interessar. Se compararam com George R R Martin então, quero nem saber, mesmo você tendo dito que os universos são diferentes.
    Como se trata de uma trilogia, de qualquer forma eu não iria querer ler agora pra não ter que ficar esperando os outros lançamentos :p espero que os próximos sejam tão bons quanto esse foi pra você! Beijos!

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  4. Alguém sabe quando vai lançar aqui no Brasil o próximo?💟

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